quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Da importância do quotidiano no estudo das redes digitais (Gabriel Tarde)

Comentário ao artigo:
Gonçalves , Márcio Souza; Clair , Ericson Saint, "Antes Tarde do que nunca: notas sobre as contribuições de Gabriel Tarde para a análise da articulação entre comunicação e cultura"

Neste texto, critica-se a abordagem macro, de tipo "epocal, que valoriza as grandes transformações sociais com uma imagem estática de um social coercitivo e transcendente (ver Durkheim e, mais recentemente, McLuhan e Guy Debord).

O estudo dos fenómenos como as novas redes sociais mediadas digitalmente deve valorizar igualmente as apreensões subjectivas e diferentes que agregadas constituem a realidade tal como é defendido por Gabriel Tarde, Certeau, Le Roy Ladurie e Descola. Devem-se evitar as diferenciações entre moderno e pré-moderno em torno de grandes categorias reificadas. De facto, no meio da novas tecnologias digitais coexistem lado a lado o moderno e o pós-moderno.

Inspirados em Gabriel tarde, os autores sugerem que, recusando a opção de Émile Durkheim, centrado numa "imagem do social (imagem estática, de um social coercitivo e transcendente), Tarde permite repensar as relações entre subjetividade e sociedade, estabelecendo pontes entre essas duas instâncias, cuja interdependência é freqüentemente evidenciada em suas obras. Mesmo um indivíduo, para Tarde, é uma generalização: de fato, trata-se de um composto singular de fluxos diversos de crença e desejo em constante autodiferenciação. Apesar de adquirir notável importância em sua sociologia, o indivíduo não é origem de tudo que há, o fundo primeiro são os fluxos de crença e desejo que, dentre outras coisas, o atravessam. Esses dois elementos, crença e desejo, são a base de toda a teoria social tardeana, as unidades que tudo no universo formam: são as “quantidades psicológicas irredutíveis” de todo o mundo vivo e, por conseguinte, de todo o mundo social"
(p. 142).

Este novo pensamento "permite um nível de análise que merece hoje em dia ser fortalecido, o nível das micro-análises" (p. 145).

Por exemplo, permite repensar as visões macro que criam divisões claras entre as sociedades modernas (ou pós-modernas) e as pré-modernas. "A relação entre tecnologia de comunicação e
cultura tem sido pensada por diversos autores. Rapidamente, podemos citar McLuhan, Escola de Frankfurt, Debord, Gumbrecht [Nota pessoal: e as análises marxistas]. A lista poderia ser continuada longamente. Essas análises se baseiam, de modo geral, numa forma de raciocínio que opera considerando o todo da sociedade e os efeitos de conjunto da presença das tecnologias de comunicação. Isso leva a caracterizações bastante amplas" (p. 145).

Sugere-se que essa imagem macro e estabilizada do social apresenta inconvenientes devendo ser complementada com a dimensão macro e o estudo das grandes permanências incidindo sempre no quotidiano, nas pequenas percepções:

1 - Primeiro, "deve ser considerada a dimensão micro, a dimensão mais concreta que, em sua diversidade, compõe o que se pode chamar de cotidiano [...]. Essa dimensão micro, diferentemente da macro, que destaca grandes traços comuns, se interessa sobretudo pelo pulular de pequenas diferenças, de usos e apropriações singulares e pessoais dos diversos elementos presentes em um dado meio social, destacando-se, para o que nos interessa, as diversas tecnologias de comunicação existentes. A dimensão micro considera também, é evidente, a disseminação imitativa do inventado" (p. 145).

2 - Segundo, deve-se, ao mesmo tempo, estudar, nas suas ligações híbridas e complexas, o que permanece e que pode não estar ligado às novas tecnologias em si como o determinismo evolucionista tecnológico tende a sublinhar. "Ao mesmo tempo, a análise macro deve ser ligada à análise das grandes permanências, do que atravessa a sucessão das épocas. [...] Temos a permanência de formas básicas de operação e ordenação social, formas sem as quais não há sociedade possível. Tarde a elas se refere como os processos de imitação e de invenção, mas também como certas categorias fundamentais, condições a priori de toda experiência, tais como o espaço-tempo, a matéria, a divindade, a língua" (p. 146).

Finalmente, "temos também a grande permanência, a maior de todas, a do fato de que de todo grupo social se compõe de diferentes níveis coexistentes e contraditórios. Toda sociedade é agenciamento de heterogêneos. Nesse sentido, nenhuma sociedade é una, nenhuma sociedade é um bloco absolutamente homogêneo do qual as contradições estariam ausentes. Toda sociedade é conciliação de contraditórios, formação de um conjunto a partir da diversidade.
Esse ponto é especialmente importante quando da análise das sociedades qualificadas um pouco rapidamente de pré-modernas {...]. Vendo a modernidade como fragmentação individualista de uma experiência supostamente unificada, as sociedades pré-modernas são definidas como as do coletivo, do grupal. Ora, as investigações empíricas tornam bastante problemáticas essas maneiras de compreender o pré-moderno" (p. 146).


Gonçalves , Márcio Souza; Clair , Ericson Saint, "Antes Tarde do que nunca: notas sobre as contribuições de Gabriel Tarde para a análise da articulação entre comunicação e cultura", in Revista Galáxia, São Paulo, n. 14, 2007, p. 137-148




segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

The genealogy of the concept of "Social Software"

Some excerpts of "Tracing the Evolution of Social Software" (2004):

"The term 'social software', which is now used to define software that supports group interaction, has only become relatively popular within the last two or more years. However, the core ideas of social software itself enjoy a much longer history, running back to Vannevar Bush's ideas about 'memex' in 1945, and traveling through terms such as Augmentation, Groupware, and CSCW in the 1960s, 70s, 80s, and 90s.

By examining the many terms used to describe today's 'social software' we can also explore the origins of social software itself, and see how there exists a very real life cycle concerning the use of technical terminology".

[...]

It isn't until late 2002 that the term 'social software' came into more common usage, probably due to the efforts of Clay Shirky who organized a "Social Software Summit" in November of 2002. He recalls his first usage of the term to be from approximately April of 2002.

I asked Clay if it was the loss of meaning in the terms 'groupware' that made him choose the term 'social software', and he replied:

"I was looking for something that gathered together all uses of software that supported interacting groups, even if the interaction was offline, e.g. Meetup, nTag, etc. Groupware was the obvious choice, but had become horribly polluted by enterprise groupware work."

[...]

2000s — Changing Definitions of Social Software



An early definition by Clay for the definition of social software was:

"1. Social software treats triads of people differently than pairs.
2. Social software treats groups as first-class objects in the system."

However, Clay more recently prefers the simpler:

"software that supports group interaction"

[...]."

In: http://www.lifewithalacrity.com/2004/10/tracing_the_evo.html

Publication: October 13, 2004

A genealogia da percepção dos ecrãs digitais

Irei comentar um pequeno texto retirado do e-paper de S. Fragoso "O Espaço em Perspectiva", sobre a genealogia da percepção dos ecrãs digitais a partir de Merleau-Ponty e Couchot.


"O conceito-chave de Couchot para se entender o modo particular como a subjetividade é construída nos meios visuais é o de sujeito-SE (sujet-ON, em francês). Fazendo acoplar à palavra sujeito o pronome indefinido on (equivalente a se em português, como em on dirait que…/dir- se-ia que…), Couchot busca exprimir uma outra experiência de subjetividade, aquela que deriva não de uma vontade, de um desejo, de uma iniciativa, de um lapso de um sujeito constituído (ainda que ausente), mas dos automatismos do dispositivo técnico, “questão chave – explica ele – num momento em que o numérico parece, aos olhos de muitos, desapossar o criador de toda singularidade e de toda expressividade e reduzir o ato criador aos puros automatismos maquínicos” (Couchot, 1998: 8).

O conceito foi inspirado em Merleau-Ponty (1999: 322) – “a percepção existe sempre no modo do se” – mas foi apropriado por Couchot numa perspectiva bastante particular, visando dar conta das relações existentes entre a subjetividade e a automatização do gesto enunciador.

A idéia de automatização vem evidentemente de Simondon (1969: 120s), o primeiro a pensar o acasalamento homem-máquina e a transferência de parte dos procedimentos produtivos à tecnologia.

De uma forma bastante simplificada, podemos resumir como se segue o pensamento de Couchot sobre o sujeito-SE. Com a evolução das tecnologias de produção simbólica, há um momento em que os procedimentos de construção ganham autonomia: eles podem funcionar sem a intervenção (ou com um mínimo de intervenção) de um operador. No campo das técnicas figurativas, essa automatização do gesto enunciador aparece pela primeira vez de forma suficientemente poderosa e complexa com o surgimento da fotografia no século XIX, mas as suas primeiras tentativas remontam às técnicas de codificação óptica e geométrica da perspectiva renascentista por Leon Baptista Alberti. De fato, é com a perspectiva de projeção central, em primeiro lugar, e logo depois com os vários aparelhos que automatizam parcialmente o processo pictórico (o intersetor de Alberti, a tavoletta de Brunelleschi, o prospettògrafo reticolato de Dürer etc.) que a pintura começa a se liberar do olho e da mão do pintor, transferindo parte do processo construtivo a dispositivos ópticos e a uma série hierarquizada de operações matemáticas, que corresponde a uma espécie de algoritmo geométrico. “A perspectiva – observa Couchot (1988: 35) – é portanto uma máquina de ver no sentido mais completo do termo: perceber e figurar, registrar e inventar”. É, portanto, no Renascimento, em primeiro lugar, com a sistematização albertiana da perspectiva, e com maior ênfase no começo do século XIX, com a invenção da fotografia, que nasce aquilo que Couchot chama de o sujeito aparelhado (le sujet appareillé), fortemente dependente de uma máquina que realiza boa parte das operações de ver e representar. Esse sujeito aparelhado que nasce com a perspectiva e a fotografia passa a funcionar sob um modo indefinido, impessoal e anônimo (nele, o eu se ausenta), sob o modo do SE, para retomar a expressão de Merleau-Ponty.

“Essa indefinição – adverte Couchot – não significa, entretanto, que esse SE perde suas qualidades de sujeito e se torna objeto. SE permanece sempre sujeito, sujeito do fazer técnico, mas um sujeito despersonalizado, fundado numa espécie de anonimato” (1998: 8). Assim, à medida que vai sendo substituído por processos de automatização, o olhar é colocado a funcionar, a partir do século XV, sob o modo impessoal do SE. Mas ele não perde, com isso, a sua função mais propriamente subjetiva (definidora da ação de um sujeito). Pelo contrário, grande parte desses procedimentos técnicos vão, na verdade, ampliar, reforçar o seu papel agenciador da visão. O sujeito se torna anônimo, sem identidade (porque, em essência, é um algoritmo que “vê” e enuncia), mas o seu papel estrutural, o seu papel “assujeitador” é potencializado. Em lugar de apagar-se e perder a sua função, o sujeito torna-se a razão plena do ato da figuração: não se trata mais simplesmente de uma imagem, mas de uma imagem vista, de uma imagem que é visada, a partir de um lugar originário de visualização, por algo/alguém, que é uma espécie de sujeito-máquina.


A perspectiva – sobretudo aquela que nos vem regendo durante pelo menos os últimos 500 anos – inaugura, portanto, novas bases culturais, científicas, epistemológicas a até mesmo políticas de se pensar e praticar as imagens. E se é verdade que vivemos hoje uma “civilização das imagens”, qualquer conhecimento sério dessa civilização deve começar por aquilo que a funda: a perspectiva".

FRAGOSO, S. O Espaço em Perspectiva. Rio de Janeiro, E-Papers, 2005.

Texto retirado originalmente do blog:

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Comentário

No caso de percepção do ecrã de um computador, haveria um momento de uma percepção não consciente ou semi-consciente (aliás existe em muitas das nossas interacções mediadas visualmente). Seria o momento da captura em que o predador não-humano tomaria o "comando" embora crie a ilusão de que o comando está no lado humano (ver texto de Pedro Costa sobre a percepção Cyborg em: http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/9878). Aquilo que Gilbert Simondon, já nos anos 50 do século XX, tinha sublinhado na sua noção de individuação técnica.

Desse ponto de vista, este enquadramento, esta captura é um processo lento que tem o seu gérmen no surgimento da perspectiva.

“A perspectiva – observa Couchot (1988: 35) – é portanto uma máquina de ver no sentido mais completo do termo: perceber e figurar, registrar e inventar”

E este processo de longa duração continua com a imprensa, a fotografia, a televisão, o cinema, o vídeo e os ecrãs digitais da paisagem e os pessoais. Assim toda a perspectiva que surge com a pintura como representação fiel do real, a génese do enquadramento racional, de uma espécie de racionalização do olhar, é um processo maquínico de captura que culmina no ecrã digital moderno através de todo um processo de re-mediação (termo usado por Bolter e Grusin; ver também Lev Manovitch).

Contudo, se estas imagens nos capturam também nos criam a ilusão de sujeitos.

"Em lugar de apagar-se e perder a sua função, o sujeito torna-se a razão plena do ato da figuração: não se trata mais simplesmente de uma imagem, mas de uma imagem vista, de uma imagem que é visada, a partir de um lugar originário de visualização, por algo/alguém, que é uma espécie de sujeito-máquina".

Criando uma emoção dominada por um sentir emocionalizado, que reage primariamente aos primeiros impulsos. Em vez de uma emoção livre que vem de um sentir autêntico, um sentir impessoal como diz Perniola, há um sentir mediado e imediato em que o fisiológico predomina, o ego e as percepções erradas, estereótipos, lógicas de exclusão básicas e violentas do outro e da diferença, etc.

"A perspectiva – sobretudo aquela que nos vem regendo durante pelo menos os últimos 500 anos – inaugura, portanto, novas bases culturais, científicas, epistemológicas a até mesmo políticas de se pensar e praticar as imagens".

Como diz o autor, há portanto uma nova civilização da imagem iniciada com a perspectiva racional que tem efeitos não apenas estéticos ou sociais mas também políticos (ver texto de Moisés Lemos Martins:

Sociologia da Individuação - um blog


Um site bem apresentado e original. Vale a pena ler os textos de Pedro Rodrigues Costa que apresentam uma perspectiva importante para a sociologia das redes sociais. 


Como diz Bruno Latour, não se pode mais esquecer a outra Sociologia fundada por Tarde e Simmel, que estuda as "associações" heterogéneas. 



Neste sentido, "o adjectivo 'social' já não qualifica uma coisa entre outras, como uma ovelha negra no meio de um rebanho de ovelhas brancas, mas um tipo de conexão entre coisas que não se definem elas próprias como sociais".

sociologiadaindividuacao.blogspot.com

domingo, 14 de fevereiro de 2010

CENTRO DE PESQUISA ATOPOS GRUPO DE PESQUISA EM COMUNICAÇÃO DIGITAL VINCULADO À ESCOLA DE COMUNICAÇÕES E ARTES DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

"O ATOPOS dedica-se à análise dos impactos da introdução de novas tecnologias comunicativas (...) nos vários âmbitos da sociedade atual em que ela se manifesta:
'na economia, na política, nos corpos, na sociabilidade, nas subjetividades, na cultura, ou no armazenamento e distribuição das informações - percebemos um dinamismo técnico-social, próprio do desenvolvimento das novas interações em rede, que possibilita novas formas de pensar a sociedade e perceber o mundo'" (Massimo Di Felice).


grupoatopos.blogspot.com
Com ANDREA MICONIProfessor convidado da Universidade de Milão – IULM – Itália– Tema: Teoria das Redes DigitaisOs «new media» e a sociedade das redes. A galáxia reconfigurada. A teoria da Sociedade em Rede. ...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Os novos media e as novas formas de escrita

Do texto de apresentação de um seminário organizado por Bernard Stiegler extraí algumas ideias úteis para o trabalho de um investigador interessado nas novas formas de social-networking.

« Notre propre époque est caractérisée par le fait qu’au medium de l’écriture se sont ajoutés et parfois substitués des médias audiovisuels ou numériques qui modifient profondément le dispositif de l’espace public aussi bien que celui des savoirs, mais aussi les espaces et les temps les plus intimes.
La vie privée, les pratiques culturelles individuelles et collectives, la vie politique, la construction de l’opinion publique, l’économie, l’activité intellectuelle et scientifique s’en trouvent transformées. Or, ces médias audiovisuels sont aujourd’hui essentiellement mis au service de la captation de l’attention, et en particulier de l’attention des enfants, dans le but de susciter des modèles comportementaux conformes aux prescriptions du marketing. Et il résulte de cet état de fait qu’un conflit s’est ouvert entre les institutions qui assurent l’appropriation critique du medium de l’écriture fondant les communautés lettrées, d’une part, les industries de programmes audiovisuels et les médias numériques d’autre part.
Ce conflit est devenu notoirement préjudiciable à l’activité éducative – qu’elle soit familiale et privée ou institutionnelle et publique. La captation industrielle de l’attention épuise cette attention, qui est une construction sociale, elle en détruit les formes les plus complexes et les plus raffinées qui se sont élaborées au cours de presque trois millénaires de civilisation. Or, les problèmes ainsi posés par les médias contemporains ressemblent sur bien des points à ceux que posait l’écriture, et ils doivent être désormais affrontés et résolus par leur intégration systématique aussi bien dans les dispositifs de construction des savoirs que pour leur transmission.
C’est dans le but d’approfondir cette perspective et d’élaborer des propositions pour la mettre en œuvre que nous avons conçu cette journée qui consistera donc essentiellement à soutenir qu’il est temps d’inventer entre le monde de l’éducation, de la recherche et de la culture d’une part, le monde des médias audiovisuels et des industries culturelles et des nouveaux médias d’autre part, une politique nouvelle régulant les rapports entre ces deux secteurs, et leur prescrivant à l’un comme à l’autre des obligations de bien public – au moment où les générations des digital natives développent toutes sortes de pratiques individuelles et collectives de ces médias.
Dans ce contexte, le travail d’éducation aux médias qui a été engagé depuis des années, comme celui de la formation aux techniques documentaires issues de la numérisation, doit être approfondi et mis au cœur d’un projet éducatif nouveau, élargi dans le sens des hypothèses précédemment présentées, où la question de l’éducation des médias n’est plus simplement celle de ce que l’on appelle l’analyse des médias, mais celle d’une analyse épistémique et théorique de leur rôle dans la constitution des savoirs, depuis les formes les plus anciennes de la culture de l’écrit jusqu’au médias numériques, et tout aussi bien, par la généralisation systématique de la pratique des médias numériques dans l’élaboration même des savoirs, à travers les organes de recherche, les formations universitaires et les dispositifs de formation des maîtres aussi bien qu’au cours de la transmission des savoirs à l’école, au collège et au lycée.

Axes et perspectives proposés

- Etat des lieux de l’usage des medias audiovisuels et numériques chez les enfants et les adolescents : digital natives, nouveau rapport à la culture, nouvelle socialité, toxicité psychique et sociale des medias, captation par le marketing.


- Elaboration d’un cadre théorique pour penser ces enjeux de manière renouvelée : considérer ces médias contemporains comme de nouvelles « technologies de l’esprit », de nouveaux supports de mémoire et de savoir, et comme des pharmaka – à la fois poisons et contre-poisons, selon les expressions de Bernard Stiegler –, et dont le système scolaire doit s’emparer résolument.


- Réflexions sur l’articulation nécessaire mais difficile entre la très ancienne culture lettrée, sur laquelle repose l’école, et ces nouveaux instruments de savoir et de sentir que doivent devenir les technologies audiovisuelles et numériques : culture livresque, culture de l’information, culture numérique, écrit, écran".

in Programa do SEMINAIRE ENSEIGNEMENT ET MEDIAS - ARS INDUSTRIALIS / CIEM / SKHOLE.FR - 16 MAI 2009

Ver aqui: