sexta-feira, 12 de março de 2010

Leituras acerca do Ciberespaço e da Cibercultura

BERGMANN, H. (2007), "Ciberespaço e cibercultura: novos cenários para a sociedade, a escola e o ensino da geografia" in Caminhos de Geografia, vol. 8 nº 20, 2007, pp. 22-28 Disponível em: http://www.caminhosdegeografia.ig.ufu.br/viewissue.php?id=47

Ideias principais do artigo

O que muda com as novas ligações no ciberespaço?

1. relações sociais desterritorializadas

"A noção de territoralidade já não se encontra associada à materialidade do entorno físico (ver Ortiz, 1994), podendo-se falar da existência de relações sociais planetarizadas, isto é, de um mundo real e imaginário que se estende de forma diferenciada(...) por todo o planeta. Dá-se a mundialização da cultura.

O termo cyberspace foi cunhado por William Gibson, escrito de ficção científica, no seu livro Neuromancer (1984). Para Lèvy (1999), o ciberespaço é um espaço não físico ou territorial, que se compõe de um conjunto de redes de computador através das quais todas as informações (...) circulam. De acordo com Silva (2004), o ciberespaço é a MATRIX, uma região abstracta invisível que permite a circulação de informações na forma de imagens, sons, textos, etc. Contitui um espaço social de trocas simbólicas entre pessoas dos mais diversos locais do planeta.

O ciberespaço agrega o espaço socialmente produzido, sendo este uma estrutura criada pela evolução dos recursos tecnológicos e pelas construções sociais resultantes das apropriações feitas pelos indivíduos. O ciberespaço é visto como uma dimensão da sociedade em rede, onde os fluxos definem novas formas de relações sociais".

2 - "As relações sociais no ciberespaço, apesar de virtuais, tendem a repercutir ou a se concretizar no mundo real".

3 - O que é a cibercultura?

"A cibercultura é definida por um conjunto de técnicas, práticas, modos de pensamento e valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento da Internet como um meio de comunicação. Trata-se de um novo espaço de comunicação, de sociabilidade, de organização, acesso e transporte de informação e conhecimento. O principio da inteligência colectiva é para Lèvy (1999 p.129) a finalidade última da cibercultura, constituindo mais um campo de problemas do que uma solução."

Referências bibliográficas principais do artigo original:

LÈVY, P. (1999): Cibercultura. São Paulo: ed.34
LÈVY, P. (2000): A inteligência colectiva: por uma antropologia do ciberespaço. São Paulo: Loyola, 3ª ed.
ORTIZ, R. (1994): Mundialização e cultura. São Paulo: Brasilense, 2ª ed.

segunda-feira, 8 de março de 2010

"Critérios de reputação em coletivos digitais: estudo de caso na disciplina criando comunidades virtuais de aprendizagem e de prática"

Ver esta tese de mestrado brasileira sobre as relações sociais numa comunidade virtual em que se utiliza um método etnográfico baseado na antropologia simétrica de Bruno Latour.

"Título original

Critérios de reputação em coletivos digitais: estudo de caso na disciplina criando comunidades virtuais de aprendizagem e de prática
Autor

Freire, Claudia Pontes

Resumo

"Relações de poder na sociedade em rede, emergência, nomadismo e coletivos digitais.

Estudo inserido na Área de Concentração Interfaces Sociais da Comunicação, na Linha de Pesquisa Educomunicação do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCOM) da Universidade de São Paulo. A pesquisa trata dos critérios de reputação em trabalho coletivo mediado denominado texto coletivo desenvolvido por alunos do Programa de Pós- Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCOM) da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, constituindo-se em um estudo de caso na disciplina Criando Comunidades Virtuais de Aprendizagem e Prática, em vigor desde o ano de 2001. Estudo longitudinal, exploratório, o método é etnográfico utilizando técnicas de coleta de dados quantitativas (questionário fechado) e qualitativas observação participante e coleta de depoimentos. Os resultados apontam para os seguintes critérios de reputação: a) o envolvimento dos participantes na atividade de produção coletivo; b) a influência do conhecimento de cultura digital e ferramentas da web (literacia digital); c) perfil do aluno e característica pessoais que despertam a confiança e o compartilhamento de conhecimento por parte dos outros colegas."

Metodologia utilizada:



Ver aqui a tese completa:

A comunicação pós-massiva (André Lemos)

Ver este texto de André Lemos:

“A nova esfera conversacional se caracteriza por instrumentos de comunicação que desempenham funções pós-massivas (liberação do pólo da emissão, conexão mundial, distribuição livre e produção de conteúdo sem ter que pedir concessão ao Estado), de ordem mais comunicacional do que informacional (mais próxima do ‘mundo da vida’ do que do ’sistema’), alicerçada na troca livre de informação, na produção e distribuição de conteúdos diversos, instituindo uma conversação que, mesmo sendo planetária, reforça dimensões locais. As tecnologias da comunicação e da interação digitais, e as redes que lhe dão vida e suporte, provocam e potencializam a conversação e reconduzem a comunicação para uma dinâmica na qual indivíduos e instituições podem agir de forma descentralizada, colaborativa e participativa.”

Ver aqui o texto completo:


E também o texto de Raquel Recuero:

domingo, 7 de março de 2010

Reviews of books about contemporary media and culture

Each month, RCCS Reviews <> pumps out free, full-length reviews of books about contemporary media and culture.

Site:

http://rccs.usfca.edu/booklist.asp

Ex.:

Small Tech: The Culture of Digital Tools
Editor: Byron Hawek, David M. Rieder, Ollie Oviedo
Publisher: University of Minnesota Press, 2008

Blogs, Wikipedia, Second Life, and Beyond: From Production to Produsage
Author: Axel Bruns
Publisher: Peter Lang, 2008

20 Questions About Youth & the Media
Editor: Sharon R. Mazzarella
Publisher: Peter Lang, 2007

Instant Identity: Adolescent Girls and the World of Instant Messaging
Author: Shayla Thiel Stern
Publisher: Peter Lang, 2007

Online Social Support: The Interplay of Social Networks and Computer-Mediated Communication
Author: Antonina Bambina
Publisher: Cambria Press, 2007

Theorizing Digital Cultural Heritage: A Critical Discourse
Editor: Fiona Cameron, Sarah Kenderdine
Publisher: MIT Press, 2007

Playing the Past: History and Nostalgia in Video Games
Editor: Zach Whalen, Laurie N. Taylor
Publisher: Vanderbilt University Press, 2008

Zero Comments: Blogging and Critical Internet Culture
Author: Geert Lovink
Publisher: Routledge, 2008

Digital Shock: Confronting the New Reality
Author: Herve Fischer (Translated by Rhonda Mullins)
Publisher: McGill-Queen's University Press, 2006

Las Metáforas de Internet
Author: Edgar Gómez Cruz
Publisher: Editorial Universitat Oberta de Catalunya, 2007

Living on Cybermind: Categories, Communications, and Control
Author: Jonathan Paul Marshall
Publisher: Peter Lang, 2007

The Exploit: A Theory of Networks
Author: Alexander R. Galloway, Eugene Thacker
Publisher: University of Minnesota Press, 2007

Technically Together: Rethinking Community within Techno-Society
Author: Michele A. Willson
Publisher: Peter Lang Publishing, 2006

Electronic Literature Collection (Volume 1)
Editor: N. Katherine Hayles, Nick Montfort, Scott Rettberg, Stephanie Strickland
Publisher: Electronic Literature Organization, 2006

Electronic Literature Collection (Volume 1)
Editor: N. Katherine Hayles, Nick Montfort, Scott Rettberg, Stephanie Strickland
Publisher: Electronic Literature Organization, 2006

Organized Networks: Media Theory, Creative Labour, New Institutions
Author: Ned Rossiter
Publisher: NAi Publishers, 2006

The Internet Imaginaire
Author: Patrice Flichy
Publisher: MIT Press, 2007

The Body and the Screen: Theories of Internet Spectatorship
Author: Michele White
Publisher: MIT Press, 2006

Youth Online: Identity and Literacy in the Digital Age
Author: Angela Thomas
Publisher: Peter Lang Publishers, 2007

Social Consequences of Internet Use: Access, Involvement, and Interaction
Author: James E. Katz, Ronald E. Rice
Publisher: MIT Press, 2002

Information Please: Culture and Politics in the Age of Digital Machines
Author: Mark Poster
Publisher: Duke University Press, 2006

Connecting: How We Form Social Bonds and Communities in the Internet Age
Author: Mary Chayko
Publisher: State University of New York Press, 2002

New Technologies at Work: People, Screens and Social Virtuality
Editor: Christina Garsten, Helena Wulff
Publisher: Berg Publishers, 2003

Computer Mediated Communication: Social Interaction and the Internet
Author: Crispin Thurlow, Laura Lengel, Alice Tomic
Publisher: Sage, 2004

Connected, or What It Means to Live in the Network Society
Author: Steven Shaviro
Publisher: University of Minnesota Press, 2003

Online Social Research: Methods, Issues, and Ethics
Editor: Mark D. Johns, Shing-Ling Sarina Chen, G. Jon Hall
Publisher: Peter Lang Publishers, 2004

Touch: Sensuous Theory and Multisensory Media
Author: Laura U. Marks
Publisher: University of Minnesota Press, 2002

Literacy in the New Media Age
Author: Gunther Kress
Publisher: Routledge, 2003

Me++ : The Cyborg Self and the Networked City
Author: William J. Mitchell
Publisher: MIT Press, 2003

The Postdigital Membrane: Imagination, Technology and Desire
Author: Robert Pepperell, Michael Punt
Publisher: Intellect Books, 2000

Windows and Mirrors: Interaction Design, Digital Art, and the Myth of Transparency
Author: Jay David Bolter, Diane Gromala
Publisher: MIT Press, 2003

The Internet: An Ethnographic Approach
Author: Daniel Miller, Don Slater
Publisher: Berg Publishers, 2001

A Hacker Manifesto
Author: McKenzie Wark
Publisher: Harvard University Press, 2004

Virtual Society?: Technology, Cyberbole, Reality
Editor: Steve Woolgar
Publisher: Oxford University Press, 2002

Cyberculture
Author: Pierre Lévy (Translated by Robert Bononno)
Publisher: University of Minnesota Press, 2001


Online Connections: Internet Interpersonal Relationships
Author: Susan B. Barnes
Publisher: Hampton Press, Inc, 2001

On the Internet
Author: Hubert L. Dreyfus
Publisher: Routledge, 2001

Semiotic Flesh: Information and the Human Body
Editor: Phillip Thurtle, Robert Mitchell
Publisher: Walter Chapin Simpson Center for the Humanities, 2003

Communities in Cyberspace
Editor: Marc Smith, Peter Kollock
Publisher: Routledge, 1999

At Home With Computers
Author: Elaine Lally
Publisher: Berg Publishers, 2002

Metal and Flesh: The Evolution of Man: Technology Takes Over
Author: Ollivier Dyens (Translated by Evan J. Bibbee and Ollivier Dyens)
Publisher: MIT Press, 2001

Where the Action Is: The Foundations of Embodied Interaction
Author: Paul Dourish
Publisher: MIT Press, 2001


Communication and Cyberspace: Social Interaction in an Electronic Environment (2nd Edition)
Editor: Lance Strate, Ron L. Jacobson, Stephanie Gibson
Publisher: Hampton Press, Inc, 2003

Community Informatics: Shaping Computer-Mediated Social Relations
Editor: Leigh Keeble, Brian D. Loader
Publisher: Routledge, 2001

Cyberpunk and Cyberculture: Science Fiction and the Work of William Gibson
Author: Dani Cavallaro
Publisher: Athlone Press, 2000

Digital Mosaics: The Aesthetics of Cyberspace
Author: Steven Holtzman
Publisher: Touchstone Books, 1998

An Introduction to Cybercultures
Author: David Bell
Publisher: Routledge, 2001

Media Technology and Society, A History: From the Telegraph to the Internet
Author: Brian Winston
Publisher: Routledge, 1998

The Victorian Internet: The Remarkable Story of the Telegraph and the Nineteenth Century's On-Line Pioneers
Author: Tom Standage
Publisher: Berkley Publishing Group, 1998

What's the Matter with the Internet?
Author: Mark Poster
Publisher: University of Minnesota Press, 2001

Techgnosis: Myth, Magic, and Mysticism in the Age of Information
Author: Eric Davis
Publisher: Harmony Books, 1998


Philosophy and Computing: An Introduction
Author: Luciano Floridi
Publisher: Routledge, 1999

Conversation and Community: Chat in a Virtual World
Author: Lynn Cherny
Publisher: CSLI Publications, 1999

The World Wide Web and Contemporary Cultural Theory
Editor: Andrew Herman, Thomas Swiss
Publisher: Routledge, 2000

The Language of New Media
Author: Lev Manovich
Publisher: MIT Press, 2001

New Technologies at Work: People, Screens and Social Virtuality
Editor: Christina Garsten, Helena Wulff
Publisher: Berg Publishers, 2003

Community Building on the Web
Author: Amy Jo Kim
Publisher: Peachpit Press, 2000

How We Became Posthuman: Virtual Bodies in Cybernetics, Literature, and Informatics
Author: N. Katherine Hayles
Publisher: University of Chicago Press, 1999

Remediation: Understanding New Media
Author: Jay David Bolter, Richard Grusin
Publisher: MIT Press, 1999

Memory Trade: A Prehistory of Cyberculture
Author: Darren Tofts, Murray McKeich
Publisher: G + B Arts International, 1998

sexta-feira, 5 de março de 2010

Social Media Revolution


Social Media Revolution
www.youtube.com
"Social Media Revolution: Is social media a fad? Or is it the biggest shift since the Industrial Revolution? This video details out social media facts and figures that are hard to ignore. This video is produced by the author of Socialnomics".

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Orkut way of life

Um texto que reflecte uma experiência de social-networking.

Para ler com atenção e tempo.


"Orkut way of life

Vejamos: o que faz um brasileiro típico (da classe média com acesso a internet) ao chegar no trabalho na segunda-feira pela manhã? Ele faz duas coisas, na verdade. A primeira delas é abrir o e-mail; a segunda, o Orkut, para dar uma conferida no que "rolou" nos últimos dias (ou horas, se for um fanático ), ver suas mensagens, verificar se algum "amigo" novo o adicionou, se aumentaram os coraçõezinhos do seu perfil, essas coisas todas. Estamos diante de uma nova maneira de encarar a internet e as "relações" por ela fabricadas. O papel do Orkut (e de suas dezenas de imitações atuais: "Orkut" para pessoas bonitas, para ricos, para o público GLS, etc. ) já não pode mais ser ignorado. É o Orkut way of life cada vez mais presente no cotidiano das pessoas virtuais, como nós.

Um tempo atrás, enviei um e-mail à minha prima. Ela não respondia, e eu perguntei o motivo desse desprezo. Ela disse que não lia e-mail, que se eu quisesse "falar" com ela tinha que deixar scrap, pois era muito mais fácil (“manda scrap, pô!” ). Eu dei uma investigada e descobri que a "galera" dela também não lê e-mail, uma menina até comentava que nem lembrava de sua senha. O negócio era o Orkut! Não importa o tipo de mensagem, era lá que ela deveria ser colocada! Isso é um fenômeno interessantíssimo e, parece, o grande canalizador das discussões do Orkut. Não é necessário privacidade, individualidade, nada disso. O Orkut te coloca de fato no mundo digital, quer você queira, quer não. E o pior é que isso é o atrativo principal, entende? Ali, a idéia é justamente essa: exposição. Ninguém entra no Orkut, em princípio, para ficar escondido (exceto alguns grupos de que falarei abaixo ). O Orkut existe para você aparecer, para suas amigas escreverem que vão passar na sua casa às 21h hoje à noite para irem dançar forró e que você gosta de beber cerveja e odeia o Lula, e que tem muitos "amigos". Aliás, o que tem escrito na entrada do site? “Quem você conhece?” Isso perdeu o sentido quando o Orkut, seu criador, adicionou alguém que não era seu amigo (ou foi algum amigo dele que fez isso? ). O Orkut passou a ser um "site de relacionamento" (não um cadastro de amigo, como foi concebido ), uma vitrine de pessoas de verdade e de mentira (a maioria), onde podemos "selecionar" os amigos, da mesma maneira que selecionamos as comunidades, como se estivessem disponíveis em uma prateleira.

O fato de ele ser um shopping de personalidades é uma das partes boas. Não há nada de errado com isso. Não há problema em querer encontrar pessoas diferentes de você, que odeiam aquela banda que você adora, que adoram aquele filme que você detesta, ou mesmo iguais. A diversidade também existe no mundo digital, sabe? Estas pessoas criam comunidades, discutem temas que te interessam, indicam livros, filmes, sites, falam um monte de absurdos, etc. Todo mundo pode encontrar algo ou alguém interessante no Orkut, para falar a verdade. E o Orkut é isso, na minha opinião: um shopping de pessoas e de seus gostos.

Como tudo que é composto por pessoas, o Orkut também tem seus problemas. A maioria das pessoas mente, mente descaradamente, aliás! Conheço pessoas que estão em comunidades de autores que jamais ouviram falar, de livros que nunca leram, de filmes que nunca viram. Já que pode mentir, (quase) todo mundo aproveita! Por que, claro, no ambiente "competitivo" como este – o Orkut, em que preciso me "vender", as pessoas só "compram" os melhores, os mais cultos, os mais bonitos, os mais legais, os que tenham mais amigos. Está certo, quem vai adquirir uma televisão preto e branco se pode ter uma de plasma?! Além disso, por que tenho que ser menos que meu vizinho, que mente no perfil dele? Não, não posso admitir isso! Preciso de centenas de amigos, de boas comunidades e de milhares de scraps que atestam que "eu sou o cara", eu sou legal... adicionem-me, portanto!

Há ainda os que não se mostram, estes, geralmente, estão relacionado a sexo. "Pessoas" falsas no Orkut, que colocam fotos de seus órgãos genitais, são milhares. Ali, claro, estão protegidos. Podem ser o garanhão, a vagabunda, não precisam ser eles mesmos. É incrível como no Orkut as pessoas são bem dotadas, bonitas, inteligentes, cultas, leitores compulsivos, repletos de amigos. Quase ninguém é infeliz por lá! O Orkut permite isso, esse mundo de sonhos, de faz-de-conta, de mentira. É através dele que estabelecemos vínculos, nos aproximamos de amigos de antigamente, conhecemos gente nova, criamos laços de afeto e de rancor. Baseamos tudo isso em uma ferramenta edificada sobre a mentira, sobre a enganação, sobre a competição. O Orkut parece ser o depositário da humanidade, o depositário das aspirações verdadeiras de gente de mentira.

Depois de um certo tempo no Orkut way of life, a brincadeira começa a cansar. Se você não usa o Orkut como e-mail, como é meu caso, felizmente, não há motivos para ir lá todo dia. Amanhã será igual a hoje, que foi igual a ontem. Do ponto de vista tecnológico, digamos assim, acho que o Orkut do jeito como está hoje não sobrevive muito (se bem que ainda tem toda uma China para conhecê-lo, não é? ). Acredito que a tendência é que ele disponibilize um blog, um fotolog, talvez uns joguinhos, ou será seu fim. A gente começa a se cansar das pessoas, das coisas, com o Orkut é assim, acho. Seja como for, o Orkut é a maior sensação da Web desde o Google, não há dúvidas. Se eu estivesse fazendo propaganda, diria: 12 milhões de pessoas não podem estar enganadas! Ou podem?, sei lá. Seja como for, Orkut way of life é isso, é considerá-lo parte do seu dia-a-dia virtual, é abrir o e-mail e ele também, é tirar fotos novas para alterar no seu perfil, é responder os parabéns virtuais que você recebe pelos scraps, é procurar aqueles seus vizinhos de 20 anos atrás, é incorporar tudo isso a seu cotidiano virtual, gostando ou não. E, então, se um dia você cometer Orkutcídio, é saber que você está sozinho nessa, meu amigo, que todo mundo que você conhece ainda está lá, que vão te chamar de diferente, de estranho, de chato... você não vai mais ser o cara legal. (De repente até vale a pena, hein? )

A propósito, já percebeu que hoje em dia, quando você conhece alguém, o cara logo te pergunta se você tem Orkut e diz que vai te adicionar? Ninguém mais pergunta se você tem e-mail, perguntam se tem Orkut! O Orkut agora é o RG digital das pessoas, caso você ainda não tenha percebido que isso é Orkut way of life, eu já não sei mais nada...

É claro que muita gente vai me mandar e-mail reclamando (e xingando! ) dizendo que não gostam de Orkut, que nunca entraram no Orkut, que não é todo mundo que é assim, vivendo no Orkut way of life, que eu generalizo, que existem pessoas que não se rendem a esta idiotice, etc. Claro que não! , poupem seu tempo. Esse mundo é grande demais para todo mundo ser igual e fazer a mesma coisa. Mas a regra é essa: estar no Orkut! 60% Dos brasileiros com acesso a internet são a regra, você que lê mais de 1,8 livros por ano e não está no Orkut é que é a exceção. "

Marcelo Maroldi

Da importância do quotidiano no estudo das redes digitais (Gabriel Tarde)

Comentário ao artigo:
Gonçalves , Márcio Souza; Clair , Ericson Saint, "Antes Tarde do que nunca: notas sobre as contribuições de Gabriel Tarde para a análise da articulação entre comunicação e cultura"

Neste texto, critica-se a abordagem macro, de tipo "epocal, que valoriza as grandes transformações sociais com uma imagem estática de um social coercitivo e transcendente (ver Durkheim e, mais recentemente, McLuhan e Guy Debord).

O estudo dos fenómenos como as novas redes sociais mediadas digitalmente deve valorizar igualmente as apreensões subjectivas e diferentes que agregadas constituem a realidade tal como é defendido por Gabriel Tarde, Certeau, Le Roy Ladurie e Descola. Devem-se evitar as diferenciações entre moderno e pré-moderno em torno de grandes categorias reificadas. De facto, no meio da novas tecnologias digitais coexistem lado a lado o moderno e o pós-moderno.

Inspirados em Gabriel tarde, os autores sugerem que, recusando a opção de Émile Durkheim, centrado numa "imagem do social (imagem estática, de um social coercitivo e transcendente), Tarde permite repensar as relações entre subjetividade e sociedade, estabelecendo pontes entre essas duas instâncias, cuja interdependência é freqüentemente evidenciada em suas obras. Mesmo um indivíduo, para Tarde, é uma generalização: de fato, trata-se de um composto singular de fluxos diversos de crença e desejo em constante autodiferenciação. Apesar de adquirir notável importância em sua sociologia, o indivíduo não é origem de tudo que há, o fundo primeiro são os fluxos de crença e desejo que, dentre outras coisas, o atravessam. Esses dois elementos, crença e desejo, são a base de toda a teoria social tardeana, as unidades que tudo no universo formam: são as “quantidades psicológicas irredutíveis” de todo o mundo vivo e, por conseguinte, de todo o mundo social"
(p. 142).

Este novo pensamento "permite um nível de análise que merece hoje em dia ser fortalecido, o nível das micro-análises" (p. 145).

Por exemplo, permite repensar as visões macro que criam divisões claras entre as sociedades modernas (ou pós-modernas) e as pré-modernas. "A relação entre tecnologia de comunicação e
cultura tem sido pensada por diversos autores. Rapidamente, podemos citar McLuhan, Escola de Frankfurt, Debord, Gumbrecht [Nota pessoal: e as análises marxistas]. A lista poderia ser continuada longamente. Essas análises se baseiam, de modo geral, numa forma de raciocínio que opera considerando o todo da sociedade e os efeitos de conjunto da presença das tecnologias de comunicação. Isso leva a caracterizações bastante amplas" (p. 145).

Sugere-se que essa imagem macro e estabilizada do social apresenta inconvenientes devendo ser complementada com a dimensão macro e o estudo das grandes permanências incidindo sempre no quotidiano, nas pequenas percepções:

1 - Primeiro, "deve ser considerada a dimensão micro, a dimensão mais concreta que, em sua diversidade, compõe o que se pode chamar de cotidiano [...]. Essa dimensão micro, diferentemente da macro, que destaca grandes traços comuns, se interessa sobretudo pelo pulular de pequenas diferenças, de usos e apropriações singulares e pessoais dos diversos elementos presentes em um dado meio social, destacando-se, para o que nos interessa, as diversas tecnologias de comunicação existentes. A dimensão micro considera também, é evidente, a disseminação imitativa do inventado" (p. 145).

2 - Segundo, deve-se, ao mesmo tempo, estudar, nas suas ligações híbridas e complexas, o que permanece e que pode não estar ligado às novas tecnologias em si como o determinismo evolucionista tecnológico tende a sublinhar. "Ao mesmo tempo, a análise macro deve ser ligada à análise das grandes permanências, do que atravessa a sucessão das épocas. [...] Temos a permanência de formas básicas de operação e ordenação social, formas sem as quais não há sociedade possível. Tarde a elas se refere como os processos de imitação e de invenção, mas também como certas categorias fundamentais, condições a priori de toda experiência, tais como o espaço-tempo, a matéria, a divindade, a língua" (p. 146).

Finalmente, "temos também a grande permanência, a maior de todas, a do fato de que de todo grupo social se compõe de diferentes níveis coexistentes e contraditórios. Toda sociedade é agenciamento de heterogêneos. Nesse sentido, nenhuma sociedade é una, nenhuma sociedade é um bloco absolutamente homogêneo do qual as contradições estariam ausentes. Toda sociedade é conciliação de contraditórios, formação de um conjunto a partir da diversidade.
Esse ponto é especialmente importante quando da análise das sociedades qualificadas um pouco rapidamente de pré-modernas {...]. Vendo a modernidade como fragmentação individualista de uma experiência supostamente unificada, as sociedades pré-modernas são definidas como as do coletivo, do grupal. Ora, as investigações empíricas tornam bastante problemáticas essas maneiras de compreender o pré-moderno" (p. 146).


Gonçalves , Márcio Souza; Clair , Ericson Saint, "Antes Tarde do que nunca: notas sobre as contribuições de Gabriel Tarde para a análise da articulação entre comunicação e cultura", in Revista Galáxia, São Paulo, n. 14, 2007, p. 137-148




segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

The genealogy of the concept of "Social Software"

Some excerpts of "Tracing the Evolution of Social Software" (2004):

"The term 'social software', which is now used to define software that supports group interaction, has only become relatively popular within the last two or more years. However, the core ideas of social software itself enjoy a much longer history, running back to Vannevar Bush's ideas about 'memex' in 1945, and traveling through terms such as Augmentation, Groupware, and CSCW in the 1960s, 70s, 80s, and 90s.

By examining the many terms used to describe today's 'social software' we can also explore the origins of social software itself, and see how there exists a very real life cycle concerning the use of technical terminology".

[...]

It isn't until late 2002 that the term 'social software' came into more common usage, probably due to the efforts of Clay Shirky who organized a "Social Software Summit" in November of 2002. He recalls his first usage of the term to be from approximately April of 2002.

I asked Clay if it was the loss of meaning in the terms 'groupware' that made him choose the term 'social software', and he replied:

"I was looking for something that gathered together all uses of software that supported interacting groups, even if the interaction was offline, e.g. Meetup, nTag, etc. Groupware was the obvious choice, but had become horribly polluted by enterprise groupware work."

[...]

2000s — Changing Definitions of Social Software



An early definition by Clay for the definition of social software was:

"1. Social software treats triads of people differently than pairs.
2. Social software treats groups as first-class objects in the system."

However, Clay more recently prefers the simpler:

"software that supports group interaction"

[...]."

In: http://www.lifewithalacrity.com/2004/10/tracing_the_evo.html

Publication: October 13, 2004

A genealogia da percepção dos ecrãs digitais

Irei comentar um pequeno texto retirado do e-paper de S. Fragoso "O Espaço em Perspectiva", sobre a genealogia da percepção dos ecrãs digitais a partir de Merleau-Ponty e Couchot.


"O conceito-chave de Couchot para se entender o modo particular como a subjetividade é construída nos meios visuais é o de sujeito-SE (sujet-ON, em francês). Fazendo acoplar à palavra sujeito o pronome indefinido on (equivalente a se em português, como em on dirait que…/dir- se-ia que…), Couchot busca exprimir uma outra experiência de subjetividade, aquela que deriva não de uma vontade, de um desejo, de uma iniciativa, de um lapso de um sujeito constituído (ainda que ausente), mas dos automatismos do dispositivo técnico, “questão chave – explica ele – num momento em que o numérico parece, aos olhos de muitos, desapossar o criador de toda singularidade e de toda expressividade e reduzir o ato criador aos puros automatismos maquínicos” (Couchot, 1998: 8).

O conceito foi inspirado em Merleau-Ponty (1999: 322) – “a percepção existe sempre no modo do se” – mas foi apropriado por Couchot numa perspectiva bastante particular, visando dar conta das relações existentes entre a subjetividade e a automatização do gesto enunciador.

A idéia de automatização vem evidentemente de Simondon (1969: 120s), o primeiro a pensar o acasalamento homem-máquina e a transferência de parte dos procedimentos produtivos à tecnologia.

De uma forma bastante simplificada, podemos resumir como se segue o pensamento de Couchot sobre o sujeito-SE. Com a evolução das tecnologias de produção simbólica, há um momento em que os procedimentos de construção ganham autonomia: eles podem funcionar sem a intervenção (ou com um mínimo de intervenção) de um operador. No campo das técnicas figurativas, essa automatização do gesto enunciador aparece pela primeira vez de forma suficientemente poderosa e complexa com o surgimento da fotografia no século XIX, mas as suas primeiras tentativas remontam às técnicas de codificação óptica e geométrica da perspectiva renascentista por Leon Baptista Alberti. De fato, é com a perspectiva de projeção central, em primeiro lugar, e logo depois com os vários aparelhos que automatizam parcialmente o processo pictórico (o intersetor de Alberti, a tavoletta de Brunelleschi, o prospettògrafo reticolato de Dürer etc.) que a pintura começa a se liberar do olho e da mão do pintor, transferindo parte do processo construtivo a dispositivos ópticos e a uma série hierarquizada de operações matemáticas, que corresponde a uma espécie de algoritmo geométrico. “A perspectiva – observa Couchot (1988: 35) – é portanto uma máquina de ver no sentido mais completo do termo: perceber e figurar, registrar e inventar”. É, portanto, no Renascimento, em primeiro lugar, com a sistematização albertiana da perspectiva, e com maior ênfase no começo do século XIX, com a invenção da fotografia, que nasce aquilo que Couchot chama de o sujeito aparelhado (le sujet appareillé), fortemente dependente de uma máquina que realiza boa parte das operações de ver e representar. Esse sujeito aparelhado que nasce com a perspectiva e a fotografia passa a funcionar sob um modo indefinido, impessoal e anônimo (nele, o eu se ausenta), sob o modo do SE, para retomar a expressão de Merleau-Ponty.

“Essa indefinição – adverte Couchot – não significa, entretanto, que esse SE perde suas qualidades de sujeito e se torna objeto. SE permanece sempre sujeito, sujeito do fazer técnico, mas um sujeito despersonalizado, fundado numa espécie de anonimato” (1998: 8). Assim, à medida que vai sendo substituído por processos de automatização, o olhar é colocado a funcionar, a partir do século XV, sob o modo impessoal do SE. Mas ele não perde, com isso, a sua função mais propriamente subjetiva (definidora da ação de um sujeito). Pelo contrário, grande parte desses procedimentos técnicos vão, na verdade, ampliar, reforçar o seu papel agenciador da visão. O sujeito se torna anônimo, sem identidade (porque, em essência, é um algoritmo que “vê” e enuncia), mas o seu papel estrutural, o seu papel “assujeitador” é potencializado. Em lugar de apagar-se e perder a sua função, o sujeito torna-se a razão plena do ato da figuração: não se trata mais simplesmente de uma imagem, mas de uma imagem vista, de uma imagem que é visada, a partir de um lugar originário de visualização, por algo/alguém, que é uma espécie de sujeito-máquina.


A perspectiva – sobretudo aquela que nos vem regendo durante pelo menos os últimos 500 anos – inaugura, portanto, novas bases culturais, científicas, epistemológicas a até mesmo políticas de se pensar e praticar as imagens. E se é verdade que vivemos hoje uma “civilização das imagens”, qualquer conhecimento sério dessa civilização deve começar por aquilo que a funda: a perspectiva".

FRAGOSO, S. O Espaço em Perspectiva. Rio de Janeiro, E-Papers, 2005.

Texto retirado originalmente do blog:

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Comentário

No caso de percepção do ecrã de um computador, haveria um momento de uma percepção não consciente ou semi-consciente (aliás existe em muitas das nossas interacções mediadas visualmente). Seria o momento da captura em que o predador não-humano tomaria o "comando" embora crie a ilusão de que o comando está no lado humano (ver texto de Pedro Costa sobre a percepção Cyborg em: http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/9878). Aquilo que Gilbert Simondon, já nos anos 50 do século XX, tinha sublinhado na sua noção de individuação técnica.

Desse ponto de vista, este enquadramento, esta captura é um processo lento que tem o seu gérmen no surgimento da perspectiva.

“A perspectiva – observa Couchot (1988: 35) – é portanto uma máquina de ver no sentido mais completo do termo: perceber e figurar, registrar e inventar”

E este processo de longa duração continua com a imprensa, a fotografia, a televisão, o cinema, o vídeo e os ecrãs digitais da paisagem e os pessoais. Assim toda a perspectiva que surge com a pintura como representação fiel do real, a génese do enquadramento racional, de uma espécie de racionalização do olhar, é um processo maquínico de captura que culmina no ecrã digital moderno através de todo um processo de re-mediação (termo usado por Bolter e Grusin; ver também Lev Manovitch).

Contudo, se estas imagens nos capturam também nos criam a ilusão de sujeitos.

"Em lugar de apagar-se e perder a sua função, o sujeito torna-se a razão plena do ato da figuração: não se trata mais simplesmente de uma imagem, mas de uma imagem vista, de uma imagem que é visada, a partir de um lugar originário de visualização, por algo/alguém, que é uma espécie de sujeito-máquina".

Criando uma emoção dominada por um sentir emocionalizado, que reage primariamente aos primeiros impulsos. Em vez de uma emoção livre que vem de um sentir autêntico, um sentir impessoal como diz Perniola, há um sentir mediado e imediato em que o fisiológico predomina, o ego e as percepções erradas, estereótipos, lógicas de exclusão básicas e violentas do outro e da diferença, etc.

"A perspectiva – sobretudo aquela que nos vem regendo durante pelo menos os últimos 500 anos – inaugura, portanto, novas bases culturais, científicas, epistemológicas a até mesmo políticas de se pensar e praticar as imagens".

Como diz o autor, há portanto uma nova civilização da imagem iniciada com a perspectiva racional que tem efeitos não apenas estéticos ou sociais mas também políticos (ver texto de Moisés Lemos Martins:

Sociologia da Individuação - um blog


Um site bem apresentado e original. Vale a pena ler os textos de Pedro Rodrigues Costa que apresentam uma perspectiva importante para a sociologia das redes sociais. 


Como diz Bruno Latour, não se pode mais esquecer a outra Sociologia fundada por Tarde e Simmel, que estuda as "associações" heterogéneas. 



Neste sentido, "o adjectivo 'social' já não qualifica uma coisa entre outras, como uma ovelha negra no meio de um rebanho de ovelhas brancas, mas um tipo de conexão entre coisas que não se definem elas próprias como sociais".

sociologiadaindividuacao.blogspot.com

domingo, 14 de fevereiro de 2010

CENTRO DE PESQUISA ATOPOS GRUPO DE PESQUISA EM COMUNICAÇÃO DIGITAL VINCULADO À ESCOLA DE COMUNICAÇÕES E ARTES DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

"O ATOPOS dedica-se à análise dos impactos da introdução de novas tecnologias comunicativas (...) nos vários âmbitos da sociedade atual em que ela se manifesta:
'na economia, na política, nos corpos, na sociabilidade, nas subjetividades, na cultura, ou no armazenamento e distribuição das informações - percebemos um dinamismo técnico-social, próprio do desenvolvimento das novas interações em rede, que possibilita novas formas de pensar a sociedade e perceber o mundo'" (Massimo Di Felice).


grupoatopos.blogspot.com
Com ANDREA MICONIProfessor convidado da Universidade de Milão – IULM – Itália– Tema: Teoria das Redes DigitaisOs «new media» e a sociedade das redes. A galáxia reconfigurada. A teoria da Sociedade em Rede. ...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Os novos media e as novas formas de escrita

Do texto de apresentação de um seminário organizado por Bernard Stiegler extraí algumas ideias úteis para o trabalho de um investigador interessado nas novas formas de social-networking.

« Notre propre époque est caractérisée par le fait qu’au medium de l’écriture se sont ajoutés et parfois substitués des médias audiovisuels ou numériques qui modifient profondément le dispositif de l’espace public aussi bien que celui des savoirs, mais aussi les espaces et les temps les plus intimes.
La vie privée, les pratiques culturelles individuelles et collectives, la vie politique, la construction de l’opinion publique, l’économie, l’activité intellectuelle et scientifique s’en trouvent transformées. Or, ces médias audiovisuels sont aujourd’hui essentiellement mis au service de la captation de l’attention, et en particulier de l’attention des enfants, dans le but de susciter des modèles comportementaux conformes aux prescriptions du marketing. Et il résulte de cet état de fait qu’un conflit s’est ouvert entre les institutions qui assurent l’appropriation critique du medium de l’écriture fondant les communautés lettrées, d’une part, les industries de programmes audiovisuels et les médias numériques d’autre part.
Ce conflit est devenu notoirement préjudiciable à l’activité éducative – qu’elle soit familiale et privée ou institutionnelle et publique. La captation industrielle de l’attention épuise cette attention, qui est une construction sociale, elle en détruit les formes les plus complexes et les plus raffinées qui se sont élaborées au cours de presque trois millénaires de civilisation. Or, les problèmes ainsi posés par les médias contemporains ressemblent sur bien des points à ceux que posait l’écriture, et ils doivent être désormais affrontés et résolus par leur intégration systématique aussi bien dans les dispositifs de construction des savoirs que pour leur transmission.
C’est dans le but d’approfondir cette perspective et d’élaborer des propositions pour la mettre en œuvre que nous avons conçu cette journée qui consistera donc essentiellement à soutenir qu’il est temps d’inventer entre le monde de l’éducation, de la recherche et de la culture d’une part, le monde des médias audiovisuels et des industries culturelles et des nouveaux médias d’autre part, une politique nouvelle régulant les rapports entre ces deux secteurs, et leur prescrivant à l’un comme à l’autre des obligations de bien public – au moment où les générations des digital natives développent toutes sortes de pratiques individuelles et collectives de ces médias.
Dans ce contexte, le travail d’éducation aux médias qui a été engagé depuis des années, comme celui de la formation aux techniques documentaires issues de la numérisation, doit être approfondi et mis au cœur d’un projet éducatif nouveau, élargi dans le sens des hypothèses précédemment présentées, où la question de l’éducation des médias n’est plus simplement celle de ce que l’on appelle l’analyse des médias, mais celle d’une analyse épistémique et théorique de leur rôle dans la constitution des savoirs, depuis les formes les plus anciennes de la culture de l’écrit jusqu’au médias numériques, et tout aussi bien, par la généralisation systématique de la pratique des médias numériques dans l’élaboration même des savoirs, à travers les organes de recherche, les formations universitaires et les dispositifs de formation des maîtres aussi bien qu’au cours de la transmission des savoirs à l’école, au collège et au lycée.

Axes et perspectives proposés

- Etat des lieux de l’usage des medias audiovisuels et numériques chez les enfants et les adolescents : digital natives, nouveau rapport à la culture, nouvelle socialité, toxicité psychique et sociale des medias, captation par le marketing.


- Elaboration d’un cadre théorique pour penser ces enjeux de manière renouvelée : considérer ces médias contemporains comme de nouvelles « technologies de l’esprit », de nouveaux supports de mémoire et de savoir, et comme des pharmaka – à la fois poisons et contre-poisons, selon les expressions de Bernard Stiegler –, et dont le système scolaire doit s’emparer résolument.


- Réflexions sur l’articulation nécessaire mais difficile entre la très ancienne culture lettrée, sur laquelle repose l’école, et ces nouveaux instruments de savoir et de sentir que doivent devenir les technologies audiovisuelles et numériques : culture livresque, culture de l’information, culture numérique, écrit, écran".

in Programa do SEMINAIRE ENSEIGNEMENT ET MEDIAS - ARS INDUSTRIALIS / CIEM / SKHOLE.FR - 16 MAI 2009

Ver aqui:

A cultura informacional - Alexandre Serres

A cultura informacional - A intervenção de Alexandre Serres num seminário dinamizado por Bernard Stiegler - Séminaire Ecole et médias (CIEM-AI), 16 de Maio de 2009.

Ver aqui mais informações: http://www.arsindustrialis.org/séminaire-ciem-ai-ecole-et-médias

RESUMO A Cultura informacional tem sido dominada pela biblioteca, pelo paradigma documental, pela adaptação, pelos procedimentos. Tese do autor passa por mudar esta visão através de 3 eixos: 1. Pensar esta cultura informacional a partir da questão da técnica (pensar o código e o digital) a partir do pensamento crítico sem cair em extremos. Evitar o ocultamento da técnica. Evitar a dicotomia tecnofóbico/tecnofilico (Regis Debray). Pensar a questão da Cultura Técnica (Gilbert Simondon). Ver a relação entre a escola e o digital. a) Repensar a escola b) Pensar a plasticidade do digital. A democratização rizomática do saber devida ao digital (à nova cultura informacional) origina uma crise de autoridade, de legitimidade da escola e do professor. Solução: uma nova educação para a cultura da informação. 2. Alargar a cultura informacional à cultura dos media e ligada à cultura informática. Valorizar a hibridação mas tendo em conta as diferenças epistemológicas entre a escola e a internet. Melhorar qualitativamente o uso do digital. 3. Colocar o problema da finalidade. Realizar (melhorar e elevar o uso da internet), resistir, reflectir. Não cair nos opostos da resistência tecnofóbica ou da tecnofilica. Entender criticamente mas não de fora. Resistir por dentro com uma reflexão.4. Pensar os conteúdos didácticos da cultura informacional. Pensar a contradição entre a Escola e o Numérico: passa pela valorização da lentidão, ver as imagens e os textos desenvolvendo a arte do "olhar". Ver o que está por detrás do Google (formação crítica dos utensílios da internet). Resistir ao mito da calculabilidade, os efeitos perversos, as adições. Nem a resistência tecnofóbica, nem a adaptação acrítica.

Revista Logos publica um número especial com o tema: Tecnologias e Socialidades.

A Revista Logos publica um número especial com o tema: Tecnologias e Socialidades.


Está disponível o número 29 da Revista Logos - Comunicação e Universidade, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Publica diversos artigos em português e francês, de Stéphane Hugon, João Maia e Eduardo Bianchi, Beatriz Bretas, Vincenzo Susca, Florian Dauphin, José Pinheiro Neves, Hangsub Choi, etc.

Ver aqui os artigos em versão integral:

http://www.logos.uerj.br/antigos/logos_29/logos_29.htm

sábado, 30 de janeiro de 2010

A passagem dos dispositivos tradicionales de CMO para o Software Social

Um texto que reflecte sobre o conceito de software social.

"Se trata de describir y comparar el funcionamiento de un determinado software de comunicación mediada por ordenador que se encuentra en Internet y que, des de hace unos pocos años, ha generado una pequeña polémica sobre su denominación entre ingenieros programadores y académicos.

En efecto, algunos usan el termino de ‘software social’ para designar únicamente una determinada categoría de dispositivos y servicios de Internet con diferentes funciones como la publicación y distribución de imágenes (Flickr), vídeos (YouTube), enlaces favoritos (Del.icio.us, Meneame, Digg), o artículos escritos (blogs, Barrapunto); todos ellos desarrollados a partir del año 2000.

El objetivo de esta nueva denominación es establecer una distinción con los dispositivos de comunicación mediada por ordenador de Internet --chat, listas de correo, foros electrónicos, MUD, los grupos de noticias, etc.-- , que a partir de ahora, para abreviar llamaremos dispositivos tradicionales de CMO" (p. 79).

Este desacuerdo nos llamó la atención porque intuimos que no se trataba de una simple discusión sobre mejoras de dispositivos o de nuevos proyectos de servicios en Internet. Algo se estaba transformando. Y las transformaciones tenían que ver con lo que llamaremos sus respectivas teorías de lo social o, también, socio-lógicas".

[...]

"Como decíamos en la introducción, nuestro objetivo es terminar esta breve descripción sobre el funcionamiento de estos dos tipos de dispositivos de comunicación mediada por ordenador y de este pequeño análisis de los discursos que los ingenieros-sociólogos, con la presentación de un resumen de los aspectos que mas sobresalen de sus teorías de lo social. Para facilitar la exposición, hemos elaborado el siguiente cuadro que pasamos a comentar:










‘Comunidad virtual’ es, sin ninguna duda, el concepto más popular para referirse a los grupos que surgen como consecuencia del uso de los dispositivos de la CMO tradicional. Con el recurso a este término, se condensa una teoría de lo social: se circunscriben los limites de la asociación (espacio social = hasta donde llegue lo ‘social’), se asignan unos intereses para devenir miembro (cualquier humano), se ordena de determinada manera de relacionarse y de establecer vínculos intersubjetivos (netetiqueta), etc. Pero, también, en esta manera de promover y dar cuenta de este tipo de asociaciones, se siguen ocultando algunos debates importantes: son ejemplos de ello, el silencio sobre la creciente expertizacion de los usuarios o la separación radical entre la realidad on y realidad off de modo que su relación se convierte en un problema. Y, lo que parece menos comprensible tratándose de Internet, es que todo continua “Como ocurría con el sexo en la era victoriana, los objetos están por todas partes pero no hablamos nunca de ellos” (Latour, 2006:105).


in Vayreda, A., & Estalella, A. (2007). 'Software social: ¿teoría social?' In F. Tirado & M. Domènech (Eds.), Lo Social y lo virtual. Nuevas formas de control y transformación social, Barcelona: Editorial UOC, 78-92.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Sociology of Google?

"Le Googling à l'intersection individu/Internet – Philippe DUMAS et Daphné DUVERNAY 2009
Cette assertion est sans doute en passe de devenir un programme de recherche en France selon l'excellente présentation qu'en font ses auteurs (Ph. DUMAS et D. DUVERNAY, Chercheurs en SIC, Université de Toulon) dans le récent ouvrage collectif intitulé « L'entonnoir : Google sous la loupe des chercheurs en science de l'information et de la communication » (C&F 2009).

C'est en tous les cas une nouvelle entrée de chercheurs SHS dans la problématique « Google » (après l'approche documentaire-critique, l'approche critique-idéologique, etc.) et très intéressante car la plus directement sociologique pour l'instant : ici est étudiée la remarquable articulation entre un outil moteur / un individu en état de recherche / une méga machine Internet."

In: http://www.electropublication.net/

Some books online about sociology of Internet.

Ouvrages utiles à la sociologie de l'Internet : série 4
Alguns livros online na área da sociologia da Internet.
Some books online about sociology of Internet.


See here:


DUPUY Jean-Pierre (2000), « Les savants croient-ils en leurs théories ?: une lecture philosophique de l'histoire des sciences cognitives », INRA éditions.


VARENNE Franck (2007), “ Du modèle à la simulation informatique ”, Vrin

Revue TIC&société (2009), “ TIC et diasporas

BENKLER Yochai. (2007) The Wealth of Networks: How Social Production Transforms Markets and Freedom. New Haven, CT: Yale University Press.

LESSIG Lawrence. (2006) Code 2.0. NY: Basic Books.

MacKENZIE Adrian (2006), Transductions : bodies and machines at speed “, Continuum International Publishing Group,

JENKINS Henry. (2008) Convergence Culture: Where Old and New Media Collide. NYU Press.

FUCHS Christian. (2008). Internet and Society: Social Theory in the Information Age. Routledge.

MULTITUDES Web (2009), « Google et au-delà » n°36

SAXENIAN, AnnaLee. (2006). The New Argonauts: Regional Advantage in a Global Economy. Cambridge, MA: Harvard University Press.


GARFINKEL Simson, (2000), Database nations : the death of pricacy in the 21 century “, O'Reilly media

TURNER, Fred. (2006) "From Counterculture to Cyberculture: Stewart Brand, the Whole Earth Network, and the Rise of Digital Utopianism". Chicago, IL: University of Chicago Press.

BELL David. (2001) "An Introduction to Cybercultures". London, England: Routledge.

WELLMAN Barry and Caroline HAYTHORNTHWAITE (2002) "The Internet in Everyday Life". Oxford: Blackwell.

McKEE, Heidi, PORTER James (2009). The Ethics of Internet Research. A Rhetorical, Case-based Process. New York: Peter Lang.

CERWONKA Allaine, MALKKI Liisa (2007). "Improvising Theory: Process and Temporality in Ethnographic Fieldwork". Chicago, IL: University of Chicago Press.

HAKKEN David. (1999). Cyborgs@Cyberspace?: An Ethnographer Looks to the Future. London: Routledge.