domingo, 6 de março de 2011

As redes sociais e os novos movimentos sociais: a visão de Fernando Henrique Cardoso

Fernando Henrique Cardoso (sociólogo e ex-Presidente do Brasil) mostra até que ponto as ligações em rede da Internet ao articularem-se com outras redes, ligações mais tradicionais (face-face), podem mudar o mundo e abalar igualmente os esquemas tradicionais de pensar o "social" e as suas transformações.
"Uma delas é que as ordens sociais no mundo moderno se podem desfazer por meios surpreendentes para quem olha as coisas pelo prisma antigo. A palavra, transmitida a distância, a partir da soma de impulsos que parecem ser individuais, ganha uma força sem precedentes. Não se trata do panfleto ou do discurso revolucionário antigo nem mesmo de consignas, mas de reações racionais-emocionais de indivíduos. Aparentemente isolados, estão na verdade "conectados" com o clima do mundo circundante e ligados entre si por intermédio de redes de comunicação que se fazem, desfazem e refazem ao sabor dos momentos, das motivações e das circunstâncias. Um mundo que parecia ser basicamente individualista e regulado pela força dos poderosos ou do mercado de repente mostra que há valores de coesão e solidariedade social que ultrapassam as fronteiras do permitido." F.H.C.


http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110306/not_imp688343,0.php

CECS Seminários: "Investigar em Ciências da Comunicação"

CECS Seminários: "Investigar em Ciências da Comunicação"

Numa organização do CECS e do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho, vai realizar-se um ciclo de seminários doutorais sobre a temática geral “Investigar em Ciências da Comunicação”. 

Tendo como destinatários doutorandos e investigadores, propõe-se debater temas como “Os problemas do problema da investigação”, “Desenhar metodologias”, “Porque é que as teorias importam?”, “O processo da escrita” e “Onde interessa publicar?".




quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O Facebook e o Google querem capturar o nosso "tempo"?

O determinismo tecnológico, aliado às novas formas de capitalismo, caracteriza a mentalidade dos jovens engenheiros americanos que criaram o Facebook e o Google.


"“O engenheiro é rei, e está acima da multidão”, escreve o autor. Os próprios fundadores são descritos no livro como engenheiros frios, com uma mente matemática e um gosto pela objectividade e exactidão" (ver notícia do Público no final).

Contudo, este determinismo é, no essencial, uma forma de cegueira. Impede de ver as disposições subjectivas dos utilizadores, de ver uma outra possibilidade de estar em rede que não seja a que obedece às necessidades de lucro. E de ver que somos animais com medos, com uma subjectividade.

"Auletta argumenta que esta mentalidade de engenheiros, que foi capaz de tornar a Google num gigante, é também responsável por fazer com que esta tenha sido lenta a compreender as preocupações que as pessoas têm com a privacidade. “A privacidade é uma bomba atómica que pode explodir nas mãos da Google.”"

"“Os engenheiros são bons naquilo que conseguem medir. [Mas] os medos relacionados com a privacidade não são facilmente mensuráveis”, explica Auletta ao PÚBLICO."

A mentalidade baseada no determinismo tecnológico aliada ao novo capitalismo tende a reproduzir o uso entrópico do tempo. Alienado. Uma dependência doentia. Por alguma razão, os jogos on-line são objecto de uma divulgação intensiva em detrimento das questões da nossa privacidade (e do uso criativo e humano da Internet).

Como muito bem diz o autor do estudo, querem acima de tudo capturar-nos, capturar o nosso "tempo": "Auletta responde ao PÚBLICO: “O Facebook é uma ameaça [para o Google] porque ocupa o tempo das pessoas. Quanto mais tempo é gasto no Facebook, menos tempo se passa a usar [produtos da] Google.”

Quanto mais tempo é gasto no facebook (e no Google), menos tempo temos para estar com os amigos. Os autênticos. Menos tempo temos para "estar" connosco próprios. Apenas estar.

Por isso, a resistência também passa por saber usar, de uma outra forma, este "tempo". Não ser apanhado, como uma vítima indefesa, por esta armadilha.

http://www.publico.pt/Tecnologia/google-contra-todos_1438733

sábado, 14 de agosto de 2010

UnderstandingSociety: Gabriel Tarde's rediscovery

Gabriel Tarde could help us to understand the new links on society of information. Read this text.

"Gabriel Tarde was an important rival to Emile Durkheim on the scene of French sociology in the 1880s and 1890s. Durkheim essentially won the field, however, and Tarde's reputation diminished for a century. Durkheim's social holism and a search for social laws prevailed, and the sociology of individuals and the methodology of contingency that Tarde had constructed had little influence on the next several generations of sociologists in France. In the 1990s, however, several important strands of thought were receptive to a rediscovery of Tarde's thinking; Gilles Deleuze and Bruno Latour each found elements in Tarde's thinking that provided intellectual antecedent and support for ideas of their own. In the past fifteen years or so there has been a significant revival of interest in Tarde."

UnderstandingSociety: Gabriel Tarde's rediscovery

domingo, 13 de junho de 2010

PhD Course -Framing Screens: Knowledge, Interaction and Practice

PhD Course (5 ECTS)  - Framing Screens: Knowledge, Interaction and Practice

27-30 September 2010, IT University of Copenhagen, Denmark

Lecturers: Lucy Suchman (Lancaster University), Helen Verran (University of Melbourne), Christopher Gad (IT University of Copenhagen)

Hosted by Technologies in Practice Faculty Group (f.k.a. Design of Organizational IT)

This PhD course aims to unfold empirically and analytically how computer screens and other displays help 'project' or otherwise ‘perform’ knowledge, interaction and practice. Screens are increasingly ubiquitous, for example as part of personal computers, televisions, cameras, surveillance equipment, ticketing equipment, mobile phones and other handheld devices. Simultaneously screens play an increasingly important role in a wide range of human practices relating to work, play, travel, care, learning, planning, monitoring, designing, coordinating, modeling, policing and much else. At the same time screens are curious entities. They may stretch human interactions nearby to globally-distributed locations. They seem to multiply the world around us while simultaneously constructing very specific fields of vision. Thus, screens perform cuts between displayed worlds and human knowledge about the world. Screens also mediate human action in particular ways by actively participating in new visions that define and situate action. With their capacity to organize human attention elsewhere screens may enact viewer displacement, as viewers becomes screened off. Thus boundaries may shift between screens, the knowledge they present, the interactions they facilitate and the practices they engender. For these reasons, screens are objects of interest for contemporary social scientific research into technologically mediated environments, including anthropology, cultural/media studies, design studies, and science and technology studies (STS) . Drawing on a range of theoretical traditions the course aims to frame screens by exploring their implications for knowledge, interaction and practice. This includes but is not limited to analytical topics such as:

  • Shifting 'screen' relationships between practice (e.g. dwelling, working, travelling, playing, planning, controlling) and viewer positions (e.g. onlooker, spectator, user, voyeur, investigator)
  • Variations between heterogeneous on- and off-screen interactions
  •  Screens as organizers/disruptors/mediators of human knowledge, experience, perspectives, etc.
  • Space, place and temporalities of screens in local/global/glocal/trans-local situations and fields
  • Comparative or exploratory studies of recent 'hi-tech' displays (e.g. HD, LCD, mega-screens, 3-D, touch) vs. 'traditional' ones (e.g. theatres, windows, veils, frames)
  • Ethnographies of screens including qualitative implications of screen types, modes, juxtapositions, placements and proximities in practice
  •  Philosophical investigations of screens including debates about visible/invisible and presence/absence
  •  Screen' as a conceptual metaphor in social studies of technology, in other words what human practices can be understood as 'screening technology'?

Further information and application procedure may be found here



domingo, 6 de junho de 2010

Para uma etnografia das redes sociais na Internet. Tradução do artigo: "Etnografia Virtual"

"Etnografia Virtual

Daniel Domínguez, Anne Beaulieu, Adolfo Estalella, Edgar Gómez, Bernt Schnettler & Rosie Read

As actuais abordagens no estudo etnográfico da Internet são diversas, a proliferação de propostas tem sido numerosas nos últimos anos. A abordagem metodológica da etnografia virtual foi reformulada e ampliada através de novas propostas, como a etnografia digital, etnografia sobre e através da Internet, conectividade etnográfica, em rede etnográfica, ciberetnografia, etc. Cada uma delas mantém o seu próprio diálogo com a tradição estabelecida de Etnografia e formula a sua relação com esta tradição de diferentes maneiras. Há quem considere que a etnografia virtual envolve uma distintiva abordagem metodológica e aqueles que consideram que a pesquisa da Internet etnograficamente obriga-nos a reflectir sobre conceitos e pressupostos fundamentais da etnografia, mas isso não significa uma distintiva forma de etnografia. Os artigos desta edição especial sobre FQS virtual etnográficos mostram uma selecção das diferentes abordagens entre pesquisadores que estudam a Internet a partir de uma perspectiva etnográfica.

As diferentes propostas de fazer etnografia virtual são os resultados da forma pela qual a Internet é conceptualizada como ambos: cultura e contexto para interacção social. A Internet é um contexto aberto para interacções sociais onde as práticas, significados e identidades são mistos. Interacções sociais em ambientes virtuais apresentam um desafio para os pesquisadores sociais e abrem um novo campo de investigação qualitativa. Este número especial visa contribuir para o debate sobre a pesquisa etnográfica e da Internet, enquanto, ao mesmo tempo, chama a atenção para a necessidade de reflectir sobre os diferentes contextos adequados para a investigação social qualitativa.

O rótulo "etnografia virtual" inclui um vasto leque de abordagens metodológicas que visam responder às complexidades do objecto da investigação e às diferentes formas em que esse objecto foi construído. Etnógrafos virtuais, Etnógrafos da Internet ou do ciberespaço são confrontados com a necessidade de responder a perguntas muito prementes, como por exemplo, a utilização de dados heterogéneos (texto, audiovisual dados, etc), na sua análise, ou como combinar a investigação na frente da tela e no campo virtual. Um eterno ponto de tensão situa-se entre a aparente facilidade da recolha de dados e a dificuldade de acesso e participação no campo.

Embora os problemas de representação, perspectiva e participação não sejam novos na etnografia, quando se toma a Internet como um objecto de investigação para etnografia, todos estes temas têm de ser novamente considerados, em conjunto com outros conceitos básicos como a comunidade, ou processos fundamentais de como aceder e deixar o campo, ou o valor do investigador na experiência de campo. Neste sentido, a Internet ao tomar o objecto da pesquisa etnográfica exige uma ampla reflexão sobre conceitos centrais da etnografia.

A etnografia VIRTUAL não é apenas uma metodologia antropológica. Muitas diferentes disciplinas visam, na utilização da etnografia, aproximar-se dos seus objectos de investigação, tais como a sociologia, a pedagogia, filosofia, psicologia ou economia. Estas disciplinas têm incorporado a etnografia, como outra opção metodológica, para pesquisar as dimensões culturais dos fenómenos relacionados com as suas áreas de interesse. Este conjunto multi-disciplinar da etnografia enriquece e amplia o conjunto de respostas para as questões metodológicas levantadas. Esta diversidade de abordagens, em conjunto com alguns debates clássicos sobre etnografia, tais como a relação entre o investigador e o campo, questões éticas, a observação participante ou a "construção" da etnográfica discurso, tomam uma nova forma ao pesquisar na Internet. Todos eles têm inspirado as chamadas para este número especial FQS.
No artigo "Ética de campo: Rumo Situado da Ética para Etnografia de Investigação sobre a Internet", Adolfo ESTALELLA e Elisenda ARDÈVOL abordam algumas dessas questões éticas e abrem novas frentes relacionadas com a Internet etnográfica como método e metodologia. Eles também apontam para os aspectos éticos das actividades do pesquisador na área em que o virtual é superado pelo mundo físico. O trabalho de ESTALELLA e ARDÈVOL abre novas pistas de reflexão ao basear-se na utilização da prática etnográfica acerca de artefactos como o blog, na sua dupla condição como um instrumento para a obtenção de dados e como um meio de estabelecer relações no campo.

Esta última perspectiva é semelhante à que foi explorada por Rubén ARRIAZU em seu artigo, "Os Novos Meios ou Novas Formas de Investigação. Uma proposta Metodológica para investigação social on-line através de um Fórum Virtual". Ele argumenta sobre o importante papel dos artefactos e tecnologias na etnografia virtual. Através de uma análise da socialização em fóruns virtuais, o texto discute o que ARRIAZU prevê como uma mudança na forma como a pesquisa qualitativa na Internet é realizada. Para ele, a comunicação desempenha um papel fundamental na socialização na WWW e, sugere, a necessidade de adaptações teóricas e metodológicas para o desenvolvimento desta premissa.
O artigo: "Riereta.net: Epistémico e Políticos: Notas de um Tecno-activista Etnográfico" por Blanca CALLÉN, Marcel BALASCH, Paz GUARDERAS, Pamela GUTIÉRREZ, Alejandra LEÓN, Sandra MONTENEGRO, Karla MONTENEGRO e Joan PUJOL apresenta novas perspectivas analíticas e elementos de Reflexão. A proposta combina um projecto activista e uma etnografia virtual na rede. Eles consideram, na sua análise, de um lado, a tradução para o espaço virtual de algumas intervenções práticas e, do outro lado, as implicações que tem para a intervenção social de métodos etnográficos.

Heike Mónika GRESCHKE, no seu artigo "Registando no Campo-metodológico Reflexões sobre Etnografia de Investigação numa Pluri-Local e Campo mediático-computarizado", relata um estudo sobre uma plataforma Internet. A rede www.cibervalle.com é basicamente utilizada pelo paraguaio Diáspora, combinando actividades on-line e off-line. O autor discute esta experiência em relação a um argumento metodológico: a etnografia virtual não pode ser limitada a "tela investigação", mas tem de ser combinada com a observação física em vários locais, a fim de explorar o modo como o meio das actividades estão inseridas na vida quotidiana dos participantes.

Simona ISABELLA apresenta uns artigos metodológicos: "Etnografia do Papel Jogando jogos Online: O Papel do Virtual e verdadeiro concurso na Construção de Campo", com base no seu campo em dois MUDs. Ela discute algumas questões metodológicas e aborda questões relacionadas com a integração dos dados recolhidos por meio de interacções com diferentes tecnologias num objecto de estudo, neste caso, os dados de e-mail e mensagens instantâneas. Ela reflecte ainda sobre a forma de integrar os contextos locais dos jogadores. Mais uma vez, como em muitos artigos nesta edição, ela propõe-se também estudar as interacções entre indivíduos off-line. Simona no seu trabalho tem dois outros elementos essenciais. Primeiro, é um estudo comparativo entre dois MUDs, e etnografias comparativas são muito poucos no campo. Segundo ela é audaciosa, levando o MUD como objecto de um estudo, uma vez que esta tecnologia tem mais do que uma década de idade e perdeu o glamour - um ponto sobre o qual ela comenta que relevância na investigação social da Internet não é equivalente ao estudo do "Novo, de novo, coisa nova."

Kip JONES abre uma porta para a representação de dados qualitativos na Internet em "Como Eu peguei a Princesa Margaret? (E Eu Como Obter dela para a World Wide Web?)." Neste artigo, JONES narra com detalhe a tradução dos significados incluída numa auto-etnográfica narrativa desenvolvida por uma áudio/apresentação visual que, em seguida, migrou para a Internet. O caminho não é casual, e é o resultado de intensa audiência feedback e re-avaliação. No decurso deste processo, o artigo oferece um interessante ponto de vista qualitativo para os debates sobre a investigação ética, a capacidade da imprensa digital ao impacto sobre o discurso científico, bem como as possibilidades performativas da ciência social para representar dados qualitativos em formas não convencionais.

No seu artigo "Desenvolver Métodos ciber-etnográficos de Investigação para a Compreensão digitalmente Mediado Identidades", RYBAS e GAJJALA proporcionar-nos uma reflexão sobre o potencial pedagógico e analítico da observação participante numa situação de sala de aula. Questões de identidade podem ser profícuamente exploradas, os autores argumentam, etnográfico através de um engajamento em sites de identidade produção, a saber, as configurações, como FaceBook e MySpace.

Maurizio TELI, Francesco PISANU e David HAKKEN, em seu artigo "A Internet como uma biblioteca de Pessoas: Para uma ciber-etnografia dos Grupos Online", analisa algumas derivações da comunicação mediada por computador, quando os fenómenos obtém mais sobre a Internet e os colectivos ferramentas de Uso sincrónico e assíncrono. Baseia-se numa concepção da etnografia virtual como ciber-etnografia, a concentrar os seus autores na pesquisa etnográfica sobre a intersecção entre comunicação online e offline. As suas preocupações estudam grupos que interagem, em ambas as situações, e é baseada em conceitos clássicos de Ciência e Tecnologia nos Estudos de literatura como os cyborgs ou o ciberespaço.

O texto da Michaela FAY "Disciplinas Mobile, Mobile Métodos: Fazendo etnografia Virtual numa Rede Feminista on-line" fornece um interessante e teoricamente informada discussão do feminismo, mobilidade e tecnologia. Tomando como um estudo de caso da Universidade Internacional Feminino (IFU), o autor elabora um "unlocated" etnografia para compreender o papel da tecnologia na mobilidade de um grupo feminino que participa nesta universidade.

Numa cultura altamente mediática, em que a Internet é cada vez mais um protagonista na vida quotidiana e nas interacções sociais e emocionais, é necessário desenvolver novos instrumentos de investigação e de métodos analíticos adequados para gerir os dados que foram colectados. Os artigos em FQS 8 (3) tem o objectivo de abrir o debate em torno destas questões, fornecendo exemplos de estudos e promove a reflexão sobre os métodos utilizados em cada caso. Neste sentido, este tema constitui uma oportunidade para alargar as reflexões sobre um campo crescente que se está a tornar muito relevante.

Em toda esta extensão de artigos, a etnografia é articulada numa grande variedade de maneiras. Embora cada uma destas versões do que constitui uma etnografia esteja inscrita em particulares tradições e contextos institucionais, que continua a ser o desejo de compreender por engajar-se como um dos principais motivos do trabalho da maior parte dos autores. Desafios da mediação, de ajustes e mudanças online em distância ou no tempo, aqui agrupados sob o termo "etnografia virtual", estão todas preenchidas no decurso de tentar estabelecer este compromisso. Esperamos que as formas em que reafirmou o compromisso seja articulada e, de maneira particular será estimulante para os investigadores e estudantes que estejam interessados em rede e digital (ou não mediada) fenómenos".

(tradução de Luís Sampaio)

Artigo original:
Domínguez, Daniel; Beaulieu, Anne; Estalella, Adolfo; Gómez, Edgar; Schnettler, Bernt & Read, Rosie (2007). Virtual Ethnography. Forum Qualitative Sozialforschung / Forum: Qualitative Social Research, 8(3), http://www.qualitative-research.net/fqs-texte/3-07/07-3-E1-e.htm 

domingo, 23 de maio de 2010

Cuidado com os "especialistas" em redes sociais que aparecem como "novos profetas da web 2.0".


Para se compreender as redes sociais, existem ferramentas na área das Ciências Sociais. Pode-se usar a Análise das Redes Sociais: "métodos para a mensuração das relações de poder e influência, identificar pontos de concentraç ão das informações, enfim, trata-se de uma área multidisciplinar – e, por isso, fascinante – que envolve, além da própria sociologia, estatística, matemática, comunicação e tecnologia" (ver os artigos de Raquel Recuero: http://pontomidia.com.br/raquel/arquivos/livro_redes_sociais_na_internet.html ) .

Sim mas não é a única. Temos também outras ferramentas e teorias que podem complementar de forma qualitativa (e criticar) a Análise das Redes Sociais : a sociologia do imaginário (André Lemos, Maffesoli), a etnometodologia (Garfinkel), a teoria do actor-rede (Latour), a Escola de Palo Alto (Bateson), etc.
A propósito, ver este meu texto sobre o conceito de rede:
http://neves.do.sapo.pt/Mexico2003.pdf

"Na sociologia, o campo que dá conta deste assunto é o da Análise de Redes Sociais (SNA, em inglês). Ele se dedica a propor métodos para a mensuração das relações de poder e influência, identificar pontos de concentração das informações, enfim, trata-se de uma área multidisciplinar – e, por isso, fascinante – que envolve, além da própria sociologia, estatística, matemática, comunicação e tecnologia.
[...]

Para quem quer se aprofundar em comunicação na redes sociais sugiro conhecer inicialmente o trabalho da Orgnet e comparar com aquilo que é oferecido no Brasil pelas ditas agências 2.0. Em seguida, vale uma parada no site da International Network for Social Network Analysis. Por fim, indico a leitura do e-book Introduction to Social Network Methods, que oferece uma bela visão sobre o tema. Com isso, você estará bem munido para encarar de forma crítica os argumentos e as proposta superficiais desses novos profetas da web 2.0."
André de Abreu
http://imezzo.wordpress.com/2009/08/25/cuidado-com-o-especialista-em-redes-sociais/