In this blog, we share trials, attempts to understand the emerging "revolution" of the WEB 2.0, online social networks like Facebook, Twitter and Youtube.
quinta-feira, 15 de março de 2012
O plágio: o veneno de um remédio
Duas leituras possíveis deste fenómeno, leituras que não são dicotómicas. Na primeira, enfatiza-se o lado sombrio, o aspecto moral. O plágio como uma praga que assola a criação de conteúdos. Mas, por outro lado, também se sugere uma segunda leitura em que o plágio seria um sintoma de uma mudança mais profunda: a passagem de uma cultura clássica baseada no impresso e na restrição ao acesso da informação a uma nova cultura informacional em que o acesso e a produção se estão descentralizando. Uma intertextualidade em que a noção de proprietário, a noção de autor é substituída pela de intertextualidade, pela cooperação anónima em práticas concretas e colectivas (ver o caso da Wikipedia, etc.).
Segundo Pedro Andrade, Fernando Pessoa forneceu-nos, com a sua heteronímia, uma ferramenta útil para entender este fenómeno. Segundo o autor, "ainda antes de Julia Kristeva ter falado da intertextualidade, Fernando Pessoa emergiu como um dos mais notáveis percursores (aqueles que conduzem os per-cursos) da Internet, e não apenas do hipertexto. Senão vejamos: a sua personalidade múltipla e intertextual encontra hoje uma confirmação insuspeitada no Efeito Pessoa, particularmente visível no ciberespaço. O Efeito Pessoa é a capacidade, para um infonauta, de construir e viver diversas personalidades digitais através da ciber-escrita, ou escrita efectuada no ciberespaço". in Pedro Andrade, O EFEITO PESSOA E A SOCIOLOGIA DOS CONGRESSOS DIGITAIS, in http://www.triplov.com/coloquio_05/efeito_pessoa.html
Alexandre Serres sugere, inspirado em Derrida, que estamos perante um efeito "Pharmaka" em que um "remédio" pode também ser um veneno. "Comme tous les outils et technologies de l’intelligence, les outils informationnels du Web sont des « pharmaka », agissant à la fois comme des remèdes aux défis du déluge informationnel ou des infopollutions et comme des poisons, puisqu’ils peuvent aggraver également ces mêmes défis ou ces infopollutions". Alexandre Serres, UN EXEMPLE DE TRANSLITTÉRATIE : L'ÉVALUATION DE L'INFORMATION SUR INTERNET. in http://www.ina-sup.com/node/2689
Assumimos que há uma diferença relevante entre o plágio e a intertextualidade. No primeiro caso, há um facilitismo que cai no superficial e na irresponsabilidade individual. A intertextualidade, por seu lado, assume-se como uma ferramenta de criatividade, uma recreação do existente na linha do trabalho, por exemplo, de William S. Burroughs. Teríamos assim dois lados da mesma moeda, uma linha mais do que que uma dicotomia: um lado sombrio de falta de ética e um outro que indicia uma nova cultura informacional.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Os novos media e as novas formas de escrita
A cultura informacional - Alexandre Serres
A cultura informacional - A intervenção de Alexandre Serres num seminário dinamizado por Bernard Stiegler - Séminaire Ecole et médias (CIEM-AI), 16 de Maio de 2009.
Ver aqui mais informações: http://www.arsindustrialis.org/séminaire-ciem-ai-ecole-et-médias
RESUMO A Cultura informacional tem sido dominada pela biblioteca, pelo paradigma documental, pela adaptação, pelos procedimentos. Tese do autor passa por mudar esta visão através de 3 eixos: 1. Pensar esta cultura informacional a partir da questão da técnica (pensar o código e o digital) a partir do pensamento crítico sem cair em extremos. Evitar o ocultamento da técnica. Evitar a dicotomia tecnofóbico/tecnofilico (Regis Debray). Pensar a questão da Cultura Técnica (Gilbert Simondon). Ver a relação entre a escola e o digital. a) Repensar a escola b) Pensar a plasticidade do digital. A democratização rizomática do saber devida ao digital (à nova cultura informacional) origina uma crise de autoridade, de legitimidade da escola e do professor. Solução: uma nova educação para a cultura da informação. 2. Alargar a cultura informacional à cultura dos media e ligada à cultura informática. Valorizar a hibridação mas tendo em conta as diferenças epistemológicas entre a escola e a internet. Melhorar qualitativamente o uso do digital. 3. Colocar o problema da finalidade. Realizar (melhorar e elevar o uso da internet), resistir, reflectir. Não cair nos opostos da resistência tecnofóbica ou da tecnofilica. Entender criticamente mas não de fora. Resistir por dentro com uma reflexão.4. Pensar os conteúdos didácticos da cultura informacional. Pensar a contradição entre a Escola e o Numérico: passa pela valorização da lentidão, ver as imagens e os textos desenvolvendo a arte do "olhar". Ver o que está por detrás do Google (formação crítica dos utensílios da internet). Resistir ao mito da calculabilidade, os efeitos perversos, as adições. Nem a resistência tecnofóbica, nem a adaptação acrítica.