sexta-feira, 12 de março de 2010

Leituras acerca do Ciberespaço e da Cibercultura

BERGMANN, H. (2007), "Ciberespaço e cibercultura: novos cenários para a sociedade, a escola e o ensino da geografia" in Caminhos de Geografia, vol. 8 nº 20, 2007, pp. 22-28 Disponível em: http://www.caminhosdegeografia.ig.ufu.br/viewissue.php?id=47

Ideias principais do artigo

O que muda com as novas ligações no ciberespaço?

1. relações sociais desterritorializadas

"A noção de territoralidade já não se encontra associada à materialidade do entorno físico (ver Ortiz, 1994), podendo-se falar da existência de relações sociais planetarizadas, isto é, de um mundo real e imaginário que se estende de forma diferenciada(...) por todo o planeta. Dá-se a mundialização da cultura.

O termo cyberspace foi cunhado por William Gibson, escrito de ficção científica, no seu livro Neuromancer (1984). Para Lèvy (1999), o ciberespaço é um espaço não físico ou territorial, que se compõe de um conjunto de redes de computador através das quais todas as informações (...) circulam. De acordo com Silva (2004), o ciberespaço é a MATRIX, uma região abstracta invisível que permite a circulação de informações na forma de imagens, sons, textos, etc. Contitui um espaço social de trocas simbólicas entre pessoas dos mais diversos locais do planeta.

O ciberespaço agrega o espaço socialmente produzido, sendo este uma estrutura criada pela evolução dos recursos tecnológicos e pelas construções sociais resultantes das apropriações feitas pelos indivíduos. O ciberespaço é visto como uma dimensão da sociedade em rede, onde os fluxos definem novas formas de relações sociais".

2 - "As relações sociais no ciberespaço, apesar de virtuais, tendem a repercutir ou a se concretizar no mundo real".

3 - O que é a cibercultura?

"A cibercultura é definida por um conjunto de técnicas, práticas, modos de pensamento e valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento da Internet como um meio de comunicação. Trata-se de um novo espaço de comunicação, de sociabilidade, de organização, acesso e transporte de informação e conhecimento. O principio da inteligência colectiva é para Lèvy (1999 p.129) a finalidade última da cibercultura, constituindo mais um campo de problemas do que uma solução."

Referências bibliográficas principais do artigo original:

LÈVY, P. (1999): Cibercultura. São Paulo: ed.34
LÈVY, P. (2000): A inteligência colectiva: por uma antropologia do ciberespaço. São Paulo: Loyola, 3ª ed.
ORTIZ, R. (1994): Mundialização e cultura. São Paulo: Brasilense, 2ª ed.

segunda-feira, 8 de março de 2010

"Critérios de reputação em coletivos digitais: estudo de caso na disciplina criando comunidades virtuais de aprendizagem e de prática"

Ver esta tese de mestrado brasileira sobre as relações sociais numa comunidade virtual em que se utiliza um método etnográfico baseado na antropologia simétrica de Bruno Latour.

"Título original

Critérios de reputação em coletivos digitais: estudo de caso na disciplina criando comunidades virtuais de aprendizagem e de prática
Autor

Freire, Claudia Pontes

Resumo

"Relações de poder na sociedade em rede, emergência, nomadismo e coletivos digitais.

Estudo inserido na Área de Concentração Interfaces Sociais da Comunicação, na Linha de Pesquisa Educomunicação do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCOM) da Universidade de São Paulo. A pesquisa trata dos critérios de reputação em trabalho coletivo mediado denominado texto coletivo desenvolvido por alunos do Programa de Pós- Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCOM) da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, constituindo-se em um estudo de caso na disciplina Criando Comunidades Virtuais de Aprendizagem e Prática, em vigor desde o ano de 2001. Estudo longitudinal, exploratório, o método é etnográfico utilizando técnicas de coleta de dados quantitativas (questionário fechado) e qualitativas observação participante e coleta de depoimentos. Os resultados apontam para os seguintes critérios de reputação: a) o envolvimento dos participantes na atividade de produção coletivo; b) a influência do conhecimento de cultura digital e ferramentas da web (literacia digital); c) perfil do aluno e característica pessoais que despertam a confiança e o compartilhamento de conhecimento por parte dos outros colegas."

Metodologia utilizada:



Ver aqui a tese completa:

A comunicação pós-massiva (André Lemos)

Ver este texto de André Lemos:

“A nova esfera conversacional se caracteriza por instrumentos de comunicação que desempenham funções pós-massivas (liberação do pólo da emissão, conexão mundial, distribuição livre e produção de conteúdo sem ter que pedir concessão ao Estado), de ordem mais comunicacional do que informacional (mais próxima do ‘mundo da vida’ do que do ’sistema’), alicerçada na troca livre de informação, na produção e distribuição de conteúdos diversos, instituindo uma conversação que, mesmo sendo planetária, reforça dimensões locais. As tecnologias da comunicação e da interação digitais, e as redes que lhe dão vida e suporte, provocam e potencializam a conversação e reconduzem a comunicação para uma dinâmica na qual indivíduos e instituições podem agir de forma descentralizada, colaborativa e participativa.”

Ver aqui o texto completo:


E também o texto de Raquel Recuero:

domingo, 7 de março de 2010

Reviews of books about contemporary media and culture

Each month, RCCS Reviews <> pumps out free, full-length reviews of books about contemporary media and culture.

Site:

http://rccs.usfca.edu/booklist.asp

Ex.:

Small Tech: The Culture of Digital Tools
Editor: Byron Hawek, David M. Rieder, Ollie Oviedo
Publisher: University of Minnesota Press, 2008

Blogs, Wikipedia, Second Life, and Beyond: From Production to Produsage
Author: Axel Bruns
Publisher: Peter Lang, 2008

20 Questions About Youth & the Media
Editor: Sharon R. Mazzarella
Publisher: Peter Lang, 2007

Instant Identity: Adolescent Girls and the World of Instant Messaging
Author: Shayla Thiel Stern
Publisher: Peter Lang, 2007

Online Social Support: The Interplay of Social Networks and Computer-Mediated Communication
Author: Antonina Bambina
Publisher: Cambria Press, 2007

Theorizing Digital Cultural Heritage: A Critical Discourse
Editor: Fiona Cameron, Sarah Kenderdine
Publisher: MIT Press, 2007

Playing the Past: History and Nostalgia in Video Games
Editor: Zach Whalen, Laurie N. Taylor
Publisher: Vanderbilt University Press, 2008

Zero Comments: Blogging and Critical Internet Culture
Author: Geert Lovink
Publisher: Routledge, 2008

Digital Shock: Confronting the New Reality
Author: Herve Fischer (Translated by Rhonda Mullins)
Publisher: McGill-Queen's University Press, 2006

Las Metáforas de Internet
Author: Edgar Gómez Cruz
Publisher: Editorial Universitat Oberta de Catalunya, 2007

Living on Cybermind: Categories, Communications, and Control
Author: Jonathan Paul Marshall
Publisher: Peter Lang, 2007

The Exploit: A Theory of Networks
Author: Alexander R. Galloway, Eugene Thacker
Publisher: University of Minnesota Press, 2007

Technically Together: Rethinking Community within Techno-Society
Author: Michele A. Willson
Publisher: Peter Lang Publishing, 2006

Electronic Literature Collection (Volume 1)
Editor: N. Katherine Hayles, Nick Montfort, Scott Rettberg, Stephanie Strickland
Publisher: Electronic Literature Organization, 2006

Electronic Literature Collection (Volume 1)
Editor: N. Katherine Hayles, Nick Montfort, Scott Rettberg, Stephanie Strickland
Publisher: Electronic Literature Organization, 2006

Organized Networks: Media Theory, Creative Labour, New Institutions
Author: Ned Rossiter
Publisher: NAi Publishers, 2006

The Internet Imaginaire
Author: Patrice Flichy
Publisher: MIT Press, 2007

The Body and the Screen: Theories of Internet Spectatorship
Author: Michele White
Publisher: MIT Press, 2006

Youth Online: Identity and Literacy in the Digital Age
Author: Angela Thomas
Publisher: Peter Lang Publishers, 2007

Social Consequences of Internet Use: Access, Involvement, and Interaction
Author: James E. Katz, Ronald E. Rice
Publisher: MIT Press, 2002

Information Please: Culture and Politics in the Age of Digital Machines
Author: Mark Poster
Publisher: Duke University Press, 2006

Connecting: How We Form Social Bonds and Communities in the Internet Age
Author: Mary Chayko
Publisher: State University of New York Press, 2002

New Technologies at Work: People, Screens and Social Virtuality
Editor: Christina Garsten, Helena Wulff
Publisher: Berg Publishers, 2003

Computer Mediated Communication: Social Interaction and the Internet
Author: Crispin Thurlow, Laura Lengel, Alice Tomic
Publisher: Sage, 2004

Connected, or What It Means to Live in the Network Society
Author: Steven Shaviro
Publisher: University of Minnesota Press, 2003

Online Social Research: Methods, Issues, and Ethics
Editor: Mark D. Johns, Shing-Ling Sarina Chen, G. Jon Hall
Publisher: Peter Lang Publishers, 2004

Touch: Sensuous Theory and Multisensory Media
Author: Laura U. Marks
Publisher: University of Minnesota Press, 2002

Literacy in the New Media Age
Author: Gunther Kress
Publisher: Routledge, 2003

Me++ : The Cyborg Self and the Networked City
Author: William J. Mitchell
Publisher: MIT Press, 2003

The Postdigital Membrane: Imagination, Technology and Desire
Author: Robert Pepperell, Michael Punt
Publisher: Intellect Books, 2000

Windows and Mirrors: Interaction Design, Digital Art, and the Myth of Transparency
Author: Jay David Bolter, Diane Gromala
Publisher: MIT Press, 2003

The Internet: An Ethnographic Approach
Author: Daniel Miller, Don Slater
Publisher: Berg Publishers, 2001

A Hacker Manifesto
Author: McKenzie Wark
Publisher: Harvard University Press, 2004

Virtual Society?: Technology, Cyberbole, Reality
Editor: Steve Woolgar
Publisher: Oxford University Press, 2002

Cyberculture
Author: Pierre Lévy (Translated by Robert Bononno)
Publisher: University of Minnesota Press, 2001


Online Connections: Internet Interpersonal Relationships
Author: Susan B. Barnes
Publisher: Hampton Press, Inc, 2001

On the Internet
Author: Hubert L. Dreyfus
Publisher: Routledge, 2001

Semiotic Flesh: Information and the Human Body
Editor: Phillip Thurtle, Robert Mitchell
Publisher: Walter Chapin Simpson Center for the Humanities, 2003

Communities in Cyberspace
Editor: Marc Smith, Peter Kollock
Publisher: Routledge, 1999

At Home With Computers
Author: Elaine Lally
Publisher: Berg Publishers, 2002

Metal and Flesh: The Evolution of Man: Technology Takes Over
Author: Ollivier Dyens (Translated by Evan J. Bibbee and Ollivier Dyens)
Publisher: MIT Press, 2001

Where the Action Is: The Foundations of Embodied Interaction
Author: Paul Dourish
Publisher: MIT Press, 2001


Communication and Cyberspace: Social Interaction in an Electronic Environment (2nd Edition)
Editor: Lance Strate, Ron L. Jacobson, Stephanie Gibson
Publisher: Hampton Press, Inc, 2003

Community Informatics: Shaping Computer-Mediated Social Relations
Editor: Leigh Keeble, Brian D. Loader
Publisher: Routledge, 2001

Cyberpunk and Cyberculture: Science Fiction and the Work of William Gibson
Author: Dani Cavallaro
Publisher: Athlone Press, 2000

Digital Mosaics: The Aesthetics of Cyberspace
Author: Steven Holtzman
Publisher: Touchstone Books, 1998

An Introduction to Cybercultures
Author: David Bell
Publisher: Routledge, 2001

Media Technology and Society, A History: From the Telegraph to the Internet
Author: Brian Winston
Publisher: Routledge, 1998

The Victorian Internet: The Remarkable Story of the Telegraph and the Nineteenth Century's On-Line Pioneers
Author: Tom Standage
Publisher: Berkley Publishing Group, 1998

What's the Matter with the Internet?
Author: Mark Poster
Publisher: University of Minnesota Press, 2001

Techgnosis: Myth, Magic, and Mysticism in the Age of Information
Author: Eric Davis
Publisher: Harmony Books, 1998


Philosophy and Computing: An Introduction
Author: Luciano Floridi
Publisher: Routledge, 1999

Conversation and Community: Chat in a Virtual World
Author: Lynn Cherny
Publisher: CSLI Publications, 1999

The World Wide Web and Contemporary Cultural Theory
Editor: Andrew Herman, Thomas Swiss
Publisher: Routledge, 2000

The Language of New Media
Author: Lev Manovich
Publisher: MIT Press, 2001

New Technologies at Work: People, Screens and Social Virtuality
Editor: Christina Garsten, Helena Wulff
Publisher: Berg Publishers, 2003

Community Building on the Web
Author: Amy Jo Kim
Publisher: Peachpit Press, 2000

How We Became Posthuman: Virtual Bodies in Cybernetics, Literature, and Informatics
Author: N. Katherine Hayles
Publisher: University of Chicago Press, 1999

Remediation: Understanding New Media
Author: Jay David Bolter, Richard Grusin
Publisher: MIT Press, 1999

Memory Trade: A Prehistory of Cyberculture
Author: Darren Tofts, Murray McKeich
Publisher: G + B Arts International, 1998

sexta-feira, 5 de março de 2010

Social Media Revolution


Social Media Revolution
www.youtube.com
"Social Media Revolution: Is social media a fad? Or is it the biggest shift since the Industrial Revolution? This video details out social media facts and figures that are hard to ignore. This video is produced by the author of Socialnomics".

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Orkut way of life

Um texto que reflecte uma experiência de social-networking.

Para ler com atenção e tempo.


"Orkut way of life

Vejamos: o que faz um brasileiro típico (da classe média com acesso a internet) ao chegar no trabalho na segunda-feira pela manhã? Ele faz duas coisas, na verdade. A primeira delas é abrir o e-mail; a segunda, o Orkut, para dar uma conferida no que "rolou" nos últimos dias (ou horas, se for um fanático ), ver suas mensagens, verificar se algum "amigo" novo o adicionou, se aumentaram os coraçõezinhos do seu perfil, essas coisas todas. Estamos diante de uma nova maneira de encarar a internet e as "relações" por ela fabricadas. O papel do Orkut (e de suas dezenas de imitações atuais: "Orkut" para pessoas bonitas, para ricos, para o público GLS, etc. ) já não pode mais ser ignorado. É o Orkut way of life cada vez mais presente no cotidiano das pessoas virtuais, como nós.

Um tempo atrás, enviei um e-mail à minha prima. Ela não respondia, e eu perguntei o motivo desse desprezo. Ela disse que não lia e-mail, que se eu quisesse "falar" com ela tinha que deixar scrap, pois era muito mais fácil (“manda scrap, pô!” ). Eu dei uma investigada e descobri que a "galera" dela também não lê e-mail, uma menina até comentava que nem lembrava de sua senha. O negócio era o Orkut! Não importa o tipo de mensagem, era lá que ela deveria ser colocada! Isso é um fenômeno interessantíssimo e, parece, o grande canalizador das discussões do Orkut. Não é necessário privacidade, individualidade, nada disso. O Orkut te coloca de fato no mundo digital, quer você queira, quer não. E o pior é que isso é o atrativo principal, entende? Ali, a idéia é justamente essa: exposição. Ninguém entra no Orkut, em princípio, para ficar escondido (exceto alguns grupos de que falarei abaixo ). O Orkut existe para você aparecer, para suas amigas escreverem que vão passar na sua casa às 21h hoje à noite para irem dançar forró e que você gosta de beber cerveja e odeia o Lula, e que tem muitos "amigos". Aliás, o que tem escrito na entrada do site? “Quem você conhece?” Isso perdeu o sentido quando o Orkut, seu criador, adicionou alguém que não era seu amigo (ou foi algum amigo dele que fez isso? ). O Orkut passou a ser um "site de relacionamento" (não um cadastro de amigo, como foi concebido ), uma vitrine de pessoas de verdade e de mentira (a maioria), onde podemos "selecionar" os amigos, da mesma maneira que selecionamos as comunidades, como se estivessem disponíveis em uma prateleira.

O fato de ele ser um shopping de personalidades é uma das partes boas. Não há nada de errado com isso. Não há problema em querer encontrar pessoas diferentes de você, que odeiam aquela banda que você adora, que adoram aquele filme que você detesta, ou mesmo iguais. A diversidade também existe no mundo digital, sabe? Estas pessoas criam comunidades, discutem temas que te interessam, indicam livros, filmes, sites, falam um monte de absurdos, etc. Todo mundo pode encontrar algo ou alguém interessante no Orkut, para falar a verdade. E o Orkut é isso, na minha opinião: um shopping de pessoas e de seus gostos.

Como tudo que é composto por pessoas, o Orkut também tem seus problemas. A maioria das pessoas mente, mente descaradamente, aliás! Conheço pessoas que estão em comunidades de autores que jamais ouviram falar, de livros que nunca leram, de filmes que nunca viram. Já que pode mentir, (quase) todo mundo aproveita! Por que, claro, no ambiente "competitivo" como este – o Orkut, em que preciso me "vender", as pessoas só "compram" os melhores, os mais cultos, os mais bonitos, os mais legais, os que tenham mais amigos. Está certo, quem vai adquirir uma televisão preto e branco se pode ter uma de plasma?! Além disso, por que tenho que ser menos que meu vizinho, que mente no perfil dele? Não, não posso admitir isso! Preciso de centenas de amigos, de boas comunidades e de milhares de scraps que atestam que "eu sou o cara", eu sou legal... adicionem-me, portanto!

Há ainda os que não se mostram, estes, geralmente, estão relacionado a sexo. "Pessoas" falsas no Orkut, que colocam fotos de seus órgãos genitais, são milhares. Ali, claro, estão protegidos. Podem ser o garanhão, a vagabunda, não precisam ser eles mesmos. É incrível como no Orkut as pessoas são bem dotadas, bonitas, inteligentes, cultas, leitores compulsivos, repletos de amigos. Quase ninguém é infeliz por lá! O Orkut permite isso, esse mundo de sonhos, de faz-de-conta, de mentira. É através dele que estabelecemos vínculos, nos aproximamos de amigos de antigamente, conhecemos gente nova, criamos laços de afeto e de rancor. Baseamos tudo isso em uma ferramenta edificada sobre a mentira, sobre a enganação, sobre a competição. O Orkut parece ser o depositário da humanidade, o depositário das aspirações verdadeiras de gente de mentira.

Depois de um certo tempo no Orkut way of life, a brincadeira começa a cansar. Se você não usa o Orkut como e-mail, como é meu caso, felizmente, não há motivos para ir lá todo dia. Amanhã será igual a hoje, que foi igual a ontem. Do ponto de vista tecnológico, digamos assim, acho que o Orkut do jeito como está hoje não sobrevive muito (se bem que ainda tem toda uma China para conhecê-lo, não é? ). Acredito que a tendência é que ele disponibilize um blog, um fotolog, talvez uns joguinhos, ou será seu fim. A gente começa a se cansar das pessoas, das coisas, com o Orkut é assim, acho. Seja como for, o Orkut é a maior sensação da Web desde o Google, não há dúvidas. Se eu estivesse fazendo propaganda, diria: 12 milhões de pessoas não podem estar enganadas! Ou podem?, sei lá. Seja como for, Orkut way of life é isso, é considerá-lo parte do seu dia-a-dia virtual, é abrir o e-mail e ele também, é tirar fotos novas para alterar no seu perfil, é responder os parabéns virtuais que você recebe pelos scraps, é procurar aqueles seus vizinhos de 20 anos atrás, é incorporar tudo isso a seu cotidiano virtual, gostando ou não. E, então, se um dia você cometer Orkutcídio, é saber que você está sozinho nessa, meu amigo, que todo mundo que você conhece ainda está lá, que vão te chamar de diferente, de estranho, de chato... você não vai mais ser o cara legal. (De repente até vale a pena, hein? )

A propósito, já percebeu que hoje em dia, quando você conhece alguém, o cara logo te pergunta se você tem Orkut e diz que vai te adicionar? Ninguém mais pergunta se você tem e-mail, perguntam se tem Orkut! O Orkut agora é o RG digital das pessoas, caso você ainda não tenha percebido que isso é Orkut way of life, eu já não sei mais nada...

É claro que muita gente vai me mandar e-mail reclamando (e xingando! ) dizendo que não gostam de Orkut, que nunca entraram no Orkut, que não é todo mundo que é assim, vivendo no Orkut way of life, que eu generalizo, que existem pessoas que não se rendem a esta idiotice, etc. Claro que não! , poupem seu tempo. Esse mundo é grande demais para todo mundo ser igual e fazer a mesma coisa. Mas a regra é essa: estar no Orkut! 60% Dos brasileiros com acesso a internet são a regra, você que lê mais de 1,8 livros por ano e não está no Orkut é que é a exceção. "

Marcelo Maroldi